Deleuze, Cinema e o Estado Novo

Rio Negro, 50, romance publicado em 2013 por Nei Lopes, é um livro visionário no mesmo sentido que Deleuze dá ao cinema do pós-guerra, de Rossellini a Marguerite Duras e o “cinema do Terceiro Mundo”. A gargalhada de Tião Medonho recontada no livro, pouco mais de 50 anos depois do célebre Assalto ao trem pagador, parece a descrição cristalina de um processo que se repetia: a afirmação das classes populares, uma efervescência política e cultural, atualizada nas últimas décadas pelo sorriso de Chávez, Kirchner e Lula, que há dez anos traziam a paz para a América do Sul. A gargalhada se transformou num refrão do que o país cada vez mais precisa, desde o início do processo do golpe de Estado no processo eleitoral de 2014 e a instauração da Lava-Jato como guerra irregular moderna, até a hora atual, onde o golpe e sua política de extermínio continuam.

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