“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: Foucault, Deleuze, Benjamin, Baudelaire

“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: é assim que Deleuze vê as descrições do sistema punitivo feitas por Foucault em “Vigiar e punir”. Não se trata da horrível alegria do carrasco, mas da alegria no horror dos revolucionários. Tendo em vista que Foucault está menos interessado nos grandes nomes da histórias do que na vida dos homens infames, pode ser visto na descrição que faz da punição a uma criança de 13 anos culpada por vadiagem o próprio éthos ou modo de ser descrito por Benjamin a respeito de Baudelaire em suas Passagens parisienses: “todas as ilegalidades que o tribunal codifica como infrações, o acusado reformulou como afirmação de uma força viva: a ausência de habitat em vadiagem, a ausência de patrão em autonomia, a ausência de trabalho em liberdade, a ausência de horários em plenitude dos dias e das noites”. Ler Foucault a partir de seus últimos trabalhos e das concepções mais claramente expostas neles elucidar o que foi escrito antes expõe que não há um sequestro da literatura ou da arte em sua filosofia quanto ele teria passado à sua “fase genealógica”. A preocupação com a literatura, com a arte, acima de tudo com a vida artista e com a formação de novas formas de vida que está entrelaçado em todo e qualquer escrito dele. Ao olhar assim Foucault, nos desfazemos de categorizações estanques e podemos alcançar o fundo vivo de sua obra.

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O tempo que resta, de Giorgio Agamben (5° Jornada)

Na 5ª jornada de “O tempo que resta”, Giorgio Agamben trabalha com duas aporias do pensamento paulino: a entre lei e salvação e entre mistério da anomia e estado de exceção. Se o tempo messiânico não é um tempo futuro como compreender a promessa evangélica no tempo de agora? Como entender um reino messiânico que desativa a lei, a torna inoperosa, sem suspendê-la ou torná-la incompreensível? É da ampla atualidade do conceito de tempo messiânico e da Carta aos Romanos que Agamben se utiliza para pensar o tempo presente.

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Walter Benjamin: “Eduard Fuchs, colecionador e historiador”

Em seu trabalho sobre Eduard Fuchs, Walter Benjamin aprofunda sua crítica em relação a chamada “alta cultura” (o classicismo, Winckelmann, etc.) quanto procura trazer ferramentas mais eficientes à crítica marxista da arte. Assim, a figura do colecionador (seu figurino francês) prepondera sobre a do historiador, do escritor e do alemão E. Fuchs. Seu trabalho que quase pode ser igualado ao do trapeiro (se o colecionador antes não fosse um milionário…) ultrapassa as barreiras das ideologias da época e dos próprios preconceitos de Fuchs. É sobre esse texto difícil e amplo que procuro encontrar subsídios importantes para a crítica cultural.

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Lumpens e poetas: a negação da vida artista em Karl Marx

Giorgio Agamben diz que “no curso do tempo, o proletariado tenha acabado por ser identificado com uma determinada classe social – a classe operária, que reivindicava para si prerrogativas e direitos – é, a partir desse ponto de vista, a pior incompreensão que se pode ter do pensamento marxiano” (“O tempo que resta”). Tal posição se casa com as diatribes de Walter Benjamin contra Marx em seus escritos sobre Baudelaire. Ao associar o lumpen aos vagabundos, chantagistas, alcoviteiros e demais nomes depreciativos, Marx coloca fora de classe todo um conjunto de pessoas, geralmente os “rebeldes” a quem ele irá se voltar contra, na polêmica com Stirner, na “Ideologia alemã”. O pensamento marxista, assim, acaba por sub-julgar toda a massa dos sem classe, ao contrário da filosofia mais recente (com Benjamin, Pasolini, Foucault, Agamben) que irá encontrar na rebeldia menos a “revolução” do que a possibilidade de se encontrar novas formas de vida em íntima associação com a vida artista. A visão pejorativa em relação aos sem classe fica ainda mais complicada se colocada à luz da situação social brasileira, onde muitas vezes é difícil se falar em “luta de classes” pelo simples fato da luta do povo, no mínimo, é por tentar se classificar (ter carteira de trabalho, se formar, ter casa própria, etc.), como aponta o historiador e antigo quadro do Iseb, Joel Rufino dos Santos.

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Agamben e Adorno: sobre o anti-messianismo e o impotencial do autor de Minima Moralia

Em “O tempo que resta”, Giorgio Agamben contrapõe a filosofia do “como se” a filosofia do “como não” de Paulo. Enquanto uma guarda traços de ressentimento e de negatividade da realização tanto na linguagem como na própria filosofia, Agamben vê no potencial messiânico, mais do que a capacidade de se lembrar nomes esquecidos pela história, a de realizar novas formas de vida num campo onde se torna indiscernível a ética e a estética. Para ele, “apesar das aparências, a dialética negativa é um pensamento absolutamente não messiânico”. Isso acarreta tanto a descrença no poder da língua e da linguagem (a poesia e a literatura sendo um dentre muitos casos), como trata o fenômeno estético como algo suplementar, quase supérfluo, da vida. É contra a filosofia escrita no impotencial que o filósofo italiano volta sua crítica.

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