Sérgio Buarque não-capitalista

Ao contrário de uma leitura uspiana tradicional, a que tem em conta Sérgio Buarque como participante de uma ética do trabalho de tipo weberiana e que sob essa lente enxerga o Brasil como um país incapaz ou com poucas forças para se desenvolver, a visão de um Sérgio Buarque não-capitalista, alheio à leitura de “Raízes do Brasil” de Antônio Cândido através de Roberto Schwarz, mostra alguém não exatamente “socialista”, mas preocupado com o desenvolvimento social do povo brasileiro. Muito mais um nacionalista do que um marxista, bem mais próximo da visão de integração nacional de um José Bonifácio ou JK do que de Max Weber ou outros “estrangeirismos”, uma leitura “de ponta cabeça” de “Raízes do Brasil” aponta para aspectos de longa duração de nossa história enquanto nação e os caminhos para se resolver seus impasses.
 

Épuras do social: como podem os intelectuais trabalhar para os pobres

Joel Rufino dos Santos chama os intelectuais a refletir sobre sua posição no processo produtivo. Não é um pedido para que somente o intelectual se compadeça dos pobres ou operários, mas para que os artistas e escritores se vejam num solo comum onde tanto o intelectual burguês ou acadêmico quanto o intelectual dos pobres (Paulo da Portela, Adoniran Barbosa, Carolina Maria de Jesus) se vejam como produtores de cultura dentro de um conceito ampliado de cultura, onde ágrafos ou analfabetos também compõem o acervo criativo nacional, sem subdivisões em classes. Contra o beletrismo e o diletantismo de intelectuais contentes, Joel Rufino vai mais longe na visão da tarefa do intelectual do que Walter Benjamin em “O autor como produtor”. De toda forma, os dois autores se complementam e pode ser visto assim de forma mais nítida o papel do crítico hoje no Brasil.