Jogo de escalas: estrutura e acontecimento em Fernand Braudel

Na revisão que faz sobre sua abordagem da história da historiografia, Paul Ricoeur relê Fernand Braudel à luz das inovações trazidas pela micro-história. A escrita dos historiadores passa a ser compreendida como mediação através da narrativa entre estrutura e acontecimento, onde todos os diferentes tipos de dados coletados em uma pesquisa não são mais considerados como “fatos” ou “dados” por serem atravessados pela composição do autor das histórias. Diante de novas conclusões, podemos reler e rever o importante e antigo trabalho de Braudel, isto é, seu “Mediterrâneo”.

YOUTUBE: https://youtu.be/C7WmcKl1dQU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Jogo-de-escalas-estrutura-e-acontecimento-em-Fernand-Braudel-e1j10de

Weber, Foucault, Braudel: ordem protestante e neoliberalismo

No “Nascimento da biopolítica”, Foucault vê em comum nas duas alas de intelectuais que levariam ao neoliberalismo na Alemanha, a Escola de Friburgo e a Escola de Frankfurt, um traço em comum, o weberianismo. Se a Alemanha do século XVI a riqueza seria um sinal efetivo da salvação divina, na Alemanha do século XX é menos o enriquecimento individual do a adesão ao Estado fundado num ordenamento jurídico e tecnocrático que será sinal tanto do esquecimento dos erros cometidos durante o nazismo quanto o legitimador da inserção do país na nova ordem vigente no pós-guerra. A crítica operada por Foucault amplia a crítica feita na década de 1960 por Fernand Braudel a sociologia de Weber e faz enxergar com mais detalhes a incidência da “ética protestante” nos dias de hoje.
 
 
 
 
 
 
 
 

Braudel e Weber: a noção de “capitalismo” em disputa

Com a publicação de “Civilização material, cultura e capitalismo”, Fernand Braudel explicita sua oposição ao entendimento de Max Weber a respeito do surgimento do capitalismo moderno a partir do norte da Europa. A tese que o historiador considera idealista, o da tipificação de um “espírito capitalista”, não considera variáveis importantes como a própria a economia, mas também a política, a cultura, a civilização, e a história, a qual decide no final as relações de força. Há um questionamento frontal à tese weberiana, ainda que feita com bastante elegância e detalhamento. O debate entre Braudel e Weber talvez esteja entre as discussões intelectuais pouco consideradas por sociólogos, historiadores, economistas, etc.

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