A História sob o signo de Jano

Seria este o deus que corresponde à historiografia?

O progresso ilimitado além de não ser um conceito grego, nunca foi um conceito dos historiadores. Logo, com Deleuze e Guattari, vemos que a filosofia da história é um conceito particular de determinados filósofos, como na teleologia hegeliana. Existiria talvez algo novo nisto caso comparemos as filosofias da história mais modernas, como a que dita o fim dos tempos, principalmente após a queda do muro de Berlim… O mundo liberal que se impõe guardaria a constituição mais perfeita, não precisando mais de se voltar a antigas formas ou se especular a respeito dela, assim como para Hegel marca o fim da história, seu marco último e mais perfeito, sua própria filosofia, o Terror e Napoleão. É quando o horizonte de expectativas se reduz a tal ponto que delimita um campo de experiência ilimitado. Infinidade não mais no conceito, no porvir, mas na experiência de se viver um mundo definitivamente, e irrevogavelmente (assim acharam os neoliberais), pós-histórico e com muita “liberdade de comércio”, claro. Ao contrário de Políbio ao lado de Cipião ao assistir o incêndio de Cartago, não puderam prever a inevitável ou a mais do que possível ruína do Império que poderia fazê-los visualizar uma história sem fim… A queda do muro de Berlim, o correlato do incêndio de Cartago, encontrou homens muito, mas muito, menores do que os da Antiguidade.

[…]