A Condor judiciária e a integração regional

Por que agora quando se fala em Lava-Jato se esquece o nome Petrobras e só se fala em Odebrecht? Será por nacionalismo? Por que “corrupção” agora tem como sinônimo Odebrecht e não Petrobras como anteriormente?

No meio de tudo, imagens idílicas passam a despontar na grande mídia, que passa a mostrar os campos do pré-sal como um Eldorado. Quando não interessa mais ao desenvolvimento nacional, mas como propaganda para justificar a rapina em curso, ou seja, mais de uma década depois dos investimentos cruciais que levaram ao domínio técnico, único no mundo, que nos fizeram extrair petróleo de alta qualidade do fundo do mar, finalmente desponta como “algo bom” os recursos naturais que até então serviriam para financiar a educação e a saúde, garantir o conteúdo nacional, e trazer o retorno dos vultuosos investimentos realizados por nossa maior empresa nacional. Quando se muda o modo de exploração desses recursos, quando a lógica colonial entra novamente em jogo, o Brasil aparece novamente como o Eldorado dos recursos naturais abundantes.

No Brasil, querendo ou não, o nome Petrobras está sempre no centro da questão, mesmo quando se prendem engenheiros peruanos, ou seja, quando se mudam as prioridades nacionais em favor dos interesses do Atlântico norte e não daqueles que vêm do Pacífico. O ataque da Condor judiciária na América do Sul – agora sob o signo Odebrecht – vem para desmantelar os projetos de integração regional e desfazer parcerias estratégicas com o governo chinês, dentro do contexto da Nova Rota da Seda, a mesma que financiou e construiu o Canal da Nicarágua, para ultrapassar de vez a dependência dos contato entre o Pacífico e o Atlântico através do Panamá, ou seja, dos EUA.

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