O mundo encantado de Roberto Schwarz

De qual liberalismo fala Roberto Schwarz quando alude a um capitalismo brasileiro onde as ideias estariam fora do lugar? Ao percorrer a bibliografia crítica sobre esta famosa noção do crítico literário, podemos ver uma miríade de liberalismos no Brasil, a sua depuração entre um primeiro momento onde o escravismo se aliava ao livre-comércio até as ideias chamadas de liberais encampadas pelos abolicionistas, ou mesmo a refutação do dualismo entre metrópole colônia, países desenvolvidos e subdesenvolvidos: a formação de uma cultura nacional passa pelas lutas de seu povo, pelo atravessamento de referências culturais diversas que podem ou não passar por matrizes europeias ou norte-americanas. Qual mundo encantado que, sob a palavra “liberal”, Roberto Schwarz acredita que o Brasil enquanto nação jamais poderá alcançar?
 
 

“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: Foucault, Deleuze, Benjamin, Baudelaire

“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: é assim que Deleuze vê as descrições do sistema punitivo feitas por Foucault em “Vigiar e punir”. Não se trata da horrível alegria do carrasco, mas da alegria no horror dos revolucionários. Tendo em vista que Foucault está menos interessado nos grandes nomes da histórias do que na vida dos homens infames, pode ser visto na descrição que faz da punição a uma criança de 13 anos culpada por vadiagem o próprio éthos ou modo de ser descrito por Benjamin a respeito de Baudelaire em suas Passagens parisienses: “todas as ilegalidades que o tribunal codifica como infrações, o acusado reformulou como afirmação de uma força viva: a ausência de habitat em vadiagem, a ausência de patrão em autonomia, a ausência de trabalho em liberdade, a ausência de horários em plenitude dos dias e das noites”. Ler Foucault a partir de seus últimos trabalhos e das concepções mais claramente expostas neles elucidar o que foi escrito antes expõe que não há um sequestro da literatura ou da arte em sua filosofia quanto ele teria passado à sua “fase genealógica”. A preocupação com a literatura, com a arte, acima de tudo com a vida artista e com a formação de novas formas de vida que está entrelaçado em todo e qualquer escrito dele. Ao olhar assim Foucault, nos desfazemos de categorizações estanques e podemos alcançar o fundo vivo de sua obra.

YOUTUBE: https://youtu.be/MZgcXyO-418

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Platonismo vulgar nas “ideias fora de lugar” de Roberto Schwarz

Uma crítica que talvez possa ser feita ao eminente crítico Roberto Schwarz é sobre essencializar o que ele entende por direitos humanos. Ao colocar como pré-definidas determinadas formas consideradas de progresso do história europeia, acabaria ele julgando ou pré-julgando o desenvolvimento histórico brasileiro? Por que existiria uma “ideia” e necessariamente no nosso país ela estaria “fora de lugar”? Não seria a própria ideia de direitos humanos, tratada de uma forma que não se questiona ou seus princípios, uma outra forma de etnocentrismo? São essas algumas das indagações que faço ao famoso intelectual paulista.

YOUTUBE: https://youtu.be/2e5GCDGuPyk

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O autor como produtor e o intelectual no Terceiro Mundo

Em “O autor como produtor”, Walter Benjamin traça qual são as tarefas do crítico e do artista que militam pelas causas populares. Define uma noção singular de tomada dos meios de produção e de afronta à ordem estabelecida pelo capital. Mais do que defini-lo em uma linha política específica é considerar o radicalismo de suas propostas depois de sua convivência com Brecht. Essa postura só será melhor delineada no ensaio sobre “O narrador”. Assim, é importante ter em vista sua proposta explicitamente política antes de vê-la expressa sob forma estética. Dessa maneira, Benjamin se aproxima muito de formulações de intelectuais do Terceiro Mundo, o que pode ajudar a compor uma crítica da cultura tão ou mais rica das que se faz tradicionalmente a partir de Antônio Gramsci.

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Walter Benjamin e a tarefa do crítico

Walter Benjamin em sua juventude tinha o sonho de ser o maior crítico literário alemão. Tarefa de larga envergadura, porque tinha diante de si toda a tradição de seu país, dos românticos a Nietzsche. Do início ao fim da vida o problema da crítica literária e da crítica de arte ocuparam seus escritos. Como pode ser dividia em diferentes etapas sua visão sobre o papel do crítico? Nesse vídeo proponho três etapas distintas em que se pode ver melhor a progressão de sua obra.

Walter Benjamin e a tarefa da crítica

Por Márcio Seligmann-Silva*

Revista Cult, 14 de março de 2010

Olhando retrospectivamente para o século 20, podemos dizer que Walter Benjamin (1892-1940) de fato realizou um de seus projetos pessoais mais arrojados. Como ele formulou em uma carta a seu grande amigo Gershom Scholem, de janeiro de 1930, ele achava que conseguira o objetivo de “ser considerado como o primeiro crítico da literatura alemã”. Este reconhecimento na época era na verdade muito tímido, restrito a um pequeno círculo de leitores especializados. Hoje este círculo cresceu a ponto de podermos com razão falar de um “reconhecimento” de sua posição privilegiada como crítico.

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