Walter Benjamin: “Eduard Fuchs, colecionador e historiador”

Em seu trabalho sobre Eduard Fuchs, Walter Benjamin aprofunda sua crítica em relação a chamada “alta cultura” (o classicismo, Winckelmann, etc.) quanto procura trazer ferramentas mais eficientes à crítica marxista da arte. Assim, a figura do colecionador (seu figurino francês) prepondera sobre a do historiador, do escritor e do alemão E. Fuchs. Seu trabalho que quase pode ser igualado ao do trapeiro (se o colecionador antes não fosse um milionário…) ultrapassa as barreiras das ideologias da época e dos próprios preconceitos de Fuchs. É sobre esse texto difícil e amplo que procuro encontrar subsídios importantes para a crítica cultural.

YOUTUBE: https://youtu.be/lauszimew6w

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Walter-Benjamin-Eduard-Fuchs–colecionador-e-historiador-e1je8rd

O subúrbio antes do subúrbio: o samba de sambar do Estácio

O bairro do Estácio pertencia a grande área de ocupação popular cujo centro era a Praça XI, em oposição a sofisticada Rua do Ouvidor. Desfigurada pelas obras modernizantes da era Vargas, o “segundo bota abaixo” ocorrido no Rio de Janeiro, deixou como patrimônio permanente o samba moderno, carioca e urbano. Antes de ser obra de descendentes bantos ou de escravos vindos do Congo, a intelectualidade popular que criou o samba de sambar eram descendentes de nordestinos após a diáspora negra que transferiu os escravos da então decadente zona açucareira para as plantações de café no Vale do Paraíba. Como uma cultura que sobrevive, feita por sobreviventes de um estado de exceção permanente bem anterior ao construído na Alemanha nazista, fez valer em outra terra a famosa frase de Euclides da Cunha no “Sertões”: “o sertanejo é antes de tudo um forte”.