H. G. Wells e a Conspiração Aberta

Foto de Shelagh Bidwell inspirada no livro “A máquina do tempo”.

Conhecido escritor de obras de ficção científica, H. G. Wells, como muitos dos escritores desse gênero literário, tem a fama de serem como que profetas de tempos futuros. Quando se olha para o escritor inglês, contudo, vemos a humanidade reduzida a refém de poderes extraterrestres e escravos do aprimoramento tecnológico, como no livro “A guerra dos mundos”, onde as bactérias derrotam os marcianos, e não a humanidade, ao todo, impotente.

Como corolário da incapacidade dos seres humanos de enfrentarem os próprios desafios, mais complexos com o passar do tempo, Wells foi publicista das ideias discutidas nos altos círculos do Império Britânico que o fizeram ser, além de escritor de ficção científica, também um dos pioneiros na produção de literatura pornográfica. “Seu talento era, como ele implicitamente descreve a si mesmo, um homem com o olhar de um proxeneta para suscetibilidade de sua clientela depravada com fantasias sexuais não tão escondidas”.

Suas três antecipações de acordo com as ideias da elite dirigente que o patrocinava foram 1) armas nucleares, 2) governo mundial, 3) masturbação neo-malthusiana, ou seja, ambientalismo. Armas nucleares e governo mundial vemos agora no íntimo entrelaçamento entre a política bélica ocidental reunida em torno da OTAN e as diretrizes de “crescimento zero”, de atentado à soberania nacional, feitas pelo sistema financeiro transatlântico, seja através de FMI, Banco Mundial ou correlatos. São duas forças que andam juntas. Na parte mais “estética”, mais “soft” das políticas imperialistas, o ambientalismo como meio de alavancar o “crescimento zero”, como nas “tecnologias apropriadas” para a África e não projetos de integração regional com alto grau de investimentos, para dar um exemplo. 

Balcanização e não desenvolvimento dos Estado-nacionais soberanos. A prática da chamada Guerra Fria, como no macartismo passado e como no atual, talvez ainda mais intenso (e que sentimos como nunca aqui no Brasil). Profeta do caos, das ideias nefastas dos círculos dirigentes internacionais. Este, H. G. Wells.

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Bilderberg, o filme

Daniel Estulin grava seu filme sobre o Clube Bilderberg

 

Ao contrário dos argumentos tradicionais, baseados em pressupostos jurídicos e político-eleitorais, o atual predomínio de políticas “neoliberais” vão muito do estabelecimento de um Consenso de Washington, dos marcos legais que permitiram a proliferação de paraísos fiscais, e das eleições de Thatcher, Reagan e Mitterrand na década de 1980. Foi um marco a chamada “crise do petróleo” na década anterior, uma crise econômica controlada que, de um lado, iniciou a hegemonia do dólar no mundo com os petrodólares (e a concomitante desvinculação dessa moeda ao padrão ouro por Nixon, base do tratado de Bretton Woods), e de outro (por causa do aumento artificial do preço do petróleo e a consequente ausências de divisas norte-americanas para dar conta do incremento do dispêndio com o combustível) criou o “sistema da dívida” que até hoje aferra os países latino-americanos, que pegaram empréstimos a juros baixos e logo após tiveram que lidar com juros extorsivos.

 Mas o fundamental foi o debate dentro dos círculos da elite mundial depois do fim da Segunda Guerra. O Império Britânico, vendo que não poderia continuar sendo um império territorial, paulatinamente passou a exercer sua soberania através dos instrumentos financeiros. Forma-se, ainda na década de 1950, a aliança anglo-americana, que conta de uma lado com a City de Londres e Wall Street e, de outro, com a OTAN. Como diz o autor do livro best-seller, Daniel Estulin, Rockefeller é uma metáfora do poder. Na mesa dos poderosos, sua família no máximo serviria o café. Igualmente para o Clube Bilderberg. Bilderberg é um signo, uma indicação para além dos marcos tradicionais, de onde se sedia e como foi desenvolvida a atual hegemonia militar e financeira. Falando dele, abre-se espaço para debates que, infelizmente, não se encontram ainda em praça pública.

 

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