A História sob o signo de Jano

Seria este o deus que corresponde à historiografia?

O progresso ilimitado além de não ser um conceito grego, nunca foi um conceito dos historiadores. Logo, com Deleuze e Guattari, vemos que a filosofia da história é um conceito particular de determinados filósofos, como na teleologia hegeliana. Existiria talvez algo novo nisto caso comparemos as filosofias da história mais modernas, como a que dita o fim dos tempos, principalmente após a queda do muro de Berlim… O mundo liberal que se impõe guardaria a constituição mais perfeita, não precisando mais de se voltar a antigas formas ou se especular a respeito dela, assim como para Hegel marca o fim da história, seu marco último e mais perfeito, sua própria filosofia, o Terror e Napoleão. É quando o horizonte de expectativas se reduz a tal ponto que delimita um campo de experiência ilimitado. Infinidade não mais no conceito, no porvir, mas na experiência de se viver um mundo definitivamente, e irrevogavelmente (assim acharam os neoliberais), pós-histórico e com muita “liberdade de comércio”, claro. Ao contrário de Políbio ao lado de Cipião ao assistir o incêndio de Cartago, não puderam prever a inevitável ou a mais do que possível ruína do Império que poderia fazê-los visualizar uma história sem fim… A queda do muro de Berlim, o correlato do incêndio de Cartago, encontrou homens muito, mas muito, menores do que os da Antiguidade.

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Atos de guerra imperial: por uma teoria da guerra total, nuclear ou não

O Times confunde a Igreja Ortodoxa Russa com o Kremlin e diz que estão tomando posse da Casa Branca.



Guerra e mais guerra, guerra por todas as partes. Uso desproporcional de força militar, ameaças armadas em todos os lugares do mundo cujos princípios ideológicos não sejam os do império. Ameaça armada a quem defende no Brasil a democracia: sem os metrôs abertos das manifestações CBF (o antro da moralidade pública e onde o “povo” lava a alma nos estádios agora devidamente gourmetizados), com muito gás de efeito moral, spray de pimenta, cassetetes, etc. Ameaça armada, é bom lembrar, com a reativação da Quarta Frota americana quando começamos a desenvolver de fato o pré-sal. São muitas as frentes de guerra do império. Guerra econômica à Rússia através do uso de sanções (que acabaram por dinamizar muitos dos setores da economia russa), ou pior ainda, a manipulação dos preços do petróleo através da aliança dos ocidentais, nos neocons, dos atlantes, dos ultras, com seus parceiros nas monarquias do Golfo Pérsico. Guerra climática, HAARP, na prolongada seca que atingiu o Brasil nos últimos anos, responsável pelo aumento da inflação (um dogma neofascista), basicamente resultado dos preços controlados – a energia – e dos problemas com a produção de alimentos que levou à oscilação do preços destes por causa de sucessivas más colheitas.  Atos terroristas ou supostamente terroristas mundo afora, aumentando a histeria global sobre o “fundamentalismo” e seus parceiros, fundamentalmente os países do eixo asiático. Em que medida a clássica “guerra de aniquilação”, de Hitler e Stálin, se difere da guerra total, tal como a vivemos atualmente? O que seria, por outro lado, uma guerra de aniquilação sob o pano de fundo da guerra total, ou seja, uma guerra de aniquilação do século XXI? Seria essa uma hipótese válida? Como descrever hoje o termo genocídio e quais seus possíveis desdobramentos no futuro próximo?

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