O programa “JK-65, compromisso com a democracia brasileira”

O programa de JK para disputar as eleições de 1965, encontrado por pesquisadores durante a Comissão Nacional da Verdade (que em sua seção paulista considerou o ex-presidente como assassinado politicamente), permite rever os impasses que a revolução brasileira (1930) enfrentava na ocasião e, ao se comparar com o período posterior, pode ser visto como a ditadura militar subverter e adulterou os rumos dessa revolução, americanizando e dolarizando nossa economia, processo que deu início ao atual sistema da dívida e financeirização atrelados ao paulatino impulso de reprimarização industrial. Assim, o golpe de 64 reedita a República Velha e adia a execução para um Estado novo no Brasil.

YOUTUBE: https://youtu.be/jPaDzvPzwbU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/O-programa-JK-65–compromisso-com-a-democracia-brasileira-e1jfq2f

Protonacionalismo militar e estado de exceção permanente (1964-2003 / 2016 – )

A emergência de determinados grupos que se dizem nacionalistas (viúvas do Lula 1, ex-bolsonaristas, ciristas, algumas pessoas ligadas a Aldo Rebelo, etc.) traz um problema duplo: 1) Qual a relação que a sociedade civil deve estabelecer com as Forças Armadas? O passado recente de arbítrios e o golpe de Estado de 2016 tornaram essa relação problemática; 2) As Forças Armadas são parte fundamental para a soberania nacional, porém a relação ambígua da esquerda com esse setor social acaba por afastar os militares das discussões nacionais. O ponto que procuro destacar é menos o do arbítrio das perseguições políticas durante a ditadura do que seu projeto econômico entreguista. Sem os militares tomarem consciência que servem como apoio a um estado de exceção permanente, por décadas funcionando quase como uma extensão da política norte-americana para o país, não se pode retomar a boa tradição das Forças Armadas, a que levou a Revolução de 30 e a modernização do país já com o “Vargas burguês”, Juscelino Kubitschek.

YOUTUBE: https://youtu.be/f_pLpol5L-8

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Protonacionalismo-militar-e-estado-de-exceo-permanente-1964-2003–2016—e1jb1if

BNDES: um estudo de direito econômico, de Lea Vidigal (resenha)

Em seu livro (fruto de sua dissertação de mestrado), Lea Vidigal retoma a importância de um banco nacional para centralizar, regular e coordenar os investimentos do Estado. Em seu período de atuação mais abrangente, com o Plano de Metas, o BNDES foi responsável por incrementos ainda hoje não superados na indústria de transformação, no setor de petróleo e em infraestrutura. Ao contrário de seu uso durante o regime militar, quando se associou ao capital estrangeiro para fomentar a iniciativa privada, com JK as agências internacionais de crédito foram rechaçadas e o impulso para o desenvolvimento se deu através de capital nacional com o objetivo de aumentar as forças produtivas do trabalho. Resgatar a história do Banco é retomar a discussão do planejamento econômico de longo prazo e seu uso voltado à economia física, não especulativa.
 
 

Fim das “armas da crítica” e ascensão das revoluções coloridas

Em seu trabalho sobre o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, Higor Codarin Nascimento conta como o grupo revolucionário, após alcançar grandes feitos com o sequestro de políticos estrangeiros (não foi apenas o famoso sequestro do embaixador americano), acabou por se encontrar em uma situação no mínimo ambígua. A orientação era de não recuar mesmo depois do recrudescimento da repressão após a fama nacional alcançada com o sequestro de Charles Elbrick, ou mesmo depois de ter lideranças capturadas aos montes pela polícia militar.

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