Precisamos falar sobre o real

René Magritte, La Reconnaissance Infinie

O descompasso entre economia e realidade no Brasil, acaba por produzir o efeito de não se vincular um significado político a uma realidade social. Como resultado, para a população de um modo geral, pouco importa na eleição entre um ou outro quadro. Passa a impressão de que tudo o que é imaginado acaba por apontar sempre para a mesma realidade.

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BRASIL: GRAÇAS AO CONLUIO DOJ/LAVA-JATO, BOLSONARO É ELEITO PRESIDENTE

“Junto com o caos econômico desatado pela substituição de Dilma da presidência pelo patético Michel Temer, a ofensiva judicial contribuiu para polarizar gravemente o país ao jogá-lo num profundo caos econômico e social, fator que preparou a cena para a vitória de Bolsonaro. No passado, Bolsonaro tinha fama como provocador e congressista medíocre. Só ganhou notoriedade internacional graças a anos de cobertura do New York Times.

É de notar que o cerne de apoio a Bolsonaro, consiste em tropas de choque militantes treinadas e financiadas por radicais livre-mercadistas de Londres – sobre tudo a Fundação Atlas – que lideraram manifestações de rua em 2016 exigindo o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff”.

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Tu, castrista maior, és a ilusão brasileira!

Primeiro uma mãe escolhe como seu líder predileto alguém armado ou que se rodeia de pessoas com armas. Essa pessoa, pelo autoritarismo e o uso da força bruta, fascina. Ela é que deverá, em curto prazo, remover toda a miséria social, tudo o que, ainda na linguagem teológica, se chama de corrupção. Esse príncipe dourado parece com a imagem que os antigos judeus tinham de seu Messias, aqueles que tomaram um susto ao se verem apresentados a um outro messias, montado num pequeno jumento e recebido pela população com ramos de árvores.

Ao contrário de qualquer exemplo bíblico, de uma hora para outra, o príncipe festejado com seus faustos e ouropéis começa a perseguir o filho dessa mãe. Logo depois, persegue os filhos de seu filhos. Para não deixar dúvida,  muitas pessoas próximas e queridas de dentro ou fora da família, passam a sofrer do mesmo destino.

Quantas mães, na história brasileira, não podem relatar essa história, esse drama?

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A mídia e o Quarto Poder

Teria Paulo Henrique Amorim traduzido em livro um antigo thriller hollywoodiano?

 

Falam que a mídia é o Quarto Poder, mas o que deveria ser esse “quarto poder” no país seria a Constituição, por cima dos outros três poderes. Como a Constituição não foi regulamentada na maioria de seus dispositivos, a mídia toma seu lugar e, se não cria a regulamentação, gera a jurisprudência, o entendimento. Atualmente há um encontro, talvez inesperado, entre a chamada “mídia progressista” e a “mídia conservadora”, ambas a favor do Golpe. O que muda é o grau de cinismo e a multiplicação da desinformação.

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