Estado Profundo versus América Profunda

Depois das imensas provocações da OTAN contra a Rússia que tiveram seu auge entre 2014-16, ou seja, até o período da eleição de Trump e do Brexit, cada vez ficou mais claro que a orientação unilateral dos poderes fáticos e financeiros ocidentais sofreu uma ruptura. A campanha anti-Rússia ficou a cargo dos democratas e liberais, enquanto havia uma distensão das tensões militares. Por outro lado, o processo de regionalização das economias ou o anti-globalismo se tornou evidente no Atlântico norte.

Como disse em uma série de outros textos, parecia haver um racha entre as elites. De um lado, uma orientação liberal-financista e outra para o que no nazismo se chamou de “sangue e terra”. O modelo econômico único imposto após o fim da URSS não existia mais. Esse é um movimento relativamente recente e peculiar a Europa e aos EUA: países sem história recente de lideranças públicas comprometidas com o desenvolvimento nacional, muito menos partidos políticos populares organizados, de massa ou o histórico de lutas, como na América do Sul, contra as ditaduras e neoliberalismo. Para eles, em medida maior do que para nós, parece que a única escolha é entre o velho capitalismo ou a anarquia.

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Onde o mundo experimenta racionalidade?

“A verdade parece ser uma criatura bonachona que ama suas comodidades, que dá, sem cessar, a todos os poderes estabelecidos a certeza de que jamais causará o menor embaraço a alguém, pois ela, definitivamente, é apenas a ciência pura“. NIETSZCHE, Shopenhauer educador, § 3.

A invenção de uma esquerda anti-pandêmica?

René Descartes, na incrível simplicidade de seus escritos, fazia uma apelo à razão natural dos seres humanos. Fugiu das carregadas terminologias aristotélico-escolásticas (“ente”, “substância”, “enteléquia”, etc.) e, através da língua comum (no caso, o francês) buscou criar um método objetivo o suficiente para dar conta de todo o saber possível. Lembro de uma passagem do filme de Rossellini, Blaise Pascal, onde este filósofo (morto jovem) pergunta ao ilustre sábio Cartesio por que sonhar em resolver tudo com um método único e que se pretende infalível. Se a realidade é complexa, muitos métodos diferentes têm que ser conjugados para ajudar na solução de um problema. O caso de Descartes, contudo, não era criar um novo método, mas tornar filosófico o senso comum.

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E a cobra morderá novamente seu rabo

Uma das cenas de apoio a Dilma Rousseff que, infelizmente, mesmo para os “bens pensantes”, foi tratada como uma espécie de Geni…

O governo Bolsonaro estabeleceu um padrão frequente de fracasso: com os objetivos principais de eliminar o PT e recuperar a economia, nada indica que ele caminha para cumpri-los. Portanto, o que ainda sustenta esse governo?

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