Agamben e Adorno: sobre o anti-messianismo e o impotencial do autor de Minima Moralia

Em “O tempo que resta”, Giorgio Agamben contrapõe a filosofia do “como se” a filosofia do “como não” de Paulo. Enquanto uma guarda traços de ressentimento e de negatividade da realização tanto na linguagem como na própria filosofia, Agamben vê no potencial messiânico, mais do que a capacidade de se lembrar nomes esquecidos pela história, a de realizar novas formas de vida num campo onde se torna indiscernível a ética e a estética. Para ele, “apesar das aparências, a dialética negativa é um pensamento absolutamente não messiânico”. Isso acarreta tanto a descrença no poder da língua e da linguagem (a poesia e a literatura sendo um dentre muitos casos), como trata o fenômeno estético como algo suplementar, quase supérfluo, da vida. É contra a filosofia escrita no impotencial que o filósofo italiano volta sua crítica.

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O tempo que resta, de Giorgio Agamben: 2ª Jornada

Na 2ª Jornada do livro “O tempo que resta”, Giorgio Agamben faz um diálogo direto com dois autores sobre o sentido da palavra “klésis”. Max Weber, por um lado, mesmo com dificuldades, não consegue explicar a mutação do termo “vocação” ou “chamado” para Beruf ou a profissão mundana, o que traz amplas implicações para a sociologia weberiana e para a interpretação da Carta paulina. Adorno, por outro lado, trabalha uma filosofia do impotencial, onde não tem lugar a realização, o gozo e a dádiva próprias à concepção messiânica do tempo e seu chamado. Nada mais distante, assim, as duas filosofias: a de Adorno e a de Walter Benjamin. Através de uma série de mediações muitos sofisticadas, Giorgio Agamben traça a exigência filosófica do tempo de agora a partir da noção de “klésis”. Esse é o objeto de estudo dessa segunda jornada do livro “O tempo que resta: um comentário à Carta aos Romanos”.  

YouTube: https://youtu.be/PAdSpUcGoes  

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O autor como produtor e o intelectual no Terceiro Mundo

Em “O autor como produtor”, Walter Benjamin traça qual são as tarefas do crítico e do artista que militam pelas causas populares. Define uma noção singular de tomada dos meios de produção e de afronta à ordem estabelecida pelo capital. Mais do que defini-lo em uma linha política específica é considerar o radicalismo de suas propostas depois de sua convivência com Brecht. Essa postura só será melhor delineada no ensaio sobre “O narrador”. Assim, é importante ter em vista sua proposta explicitamente política antes de vê-la expressa sob forma estética. Dessa maneira, Benjamin se aproxima muito de formulações de intelectuais do Terceiro Mundo, o que pode ajudar a compor uma crítica da cultura tão ou mais rica das que se faz tradicionalmente a partir de Antônio Gramsci.

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Walter Benjamin e a tarefa do crítico

Walter Benjamin em sua juventude tinha o sonho de ser o maior crítico literário alemão. Tarefa de larga envergadura, porque tinha diante de si toda a tradição de seu país, dos românticos a Nietzsche. Do início ao fim da vida o problema da crítica literária e da crítica de arte ocuparam seus escritos. Como pode ser dividia em diferentes etapas sua visão sobre o papel do crítico? Nesse vídeo proponho três etapas distintas em que se pode ver melhor a progressão de sua obra.

Michel Foucault e sua filiação à escola dos Annales

Os especialistas tradicionalmente dão um ênfase maior ao diálogo de Foucault com a historiografia através da Arqueologia do Saber, ou seja, principalmente a partir da produção inicial do filósofo e com os temas clássicos dos Annales, como a “longa duração”, e mesmo a escola primeira, de Lucien Febvre e Marc Bloch.

O intuito do que escrevi é ressaltar a continuidade desse diálogo nas últimas produções de Foucault, em especial seus dois últimos dois cursos no Collège de France. Aparecem então não Braudel e Levi-Strauss, mas a influência perene de Georges Dumézil (quem primeiro o ajudou em sua carreira durante a escrita da História da loucura, na consulta dos arquivos da biblioteca Carolina Rediviva), assim como a chamada “terceira geração” dos Annales, a antropologia histórica. Assim, pode ser visto um panorama de conjunto de como se deu a colaboração entre o filósofo e os historiadores “analíticos”.

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A estética como política: às margens da literatura contemporânea

Para Rancière, arte implica na constituição das formas de vida “comum”, passa pela constituição da voz àqueles que só podem murmurar ou fazer barulho. Como esse conceito tem implicações para a literatura contemporânea, especialmente a brasileira, caso se considere como precursor da passagem da “sociedade punitiva” para a “sociedade de controle”, as literaturas de Kafka e Beckett? Fazendo convergir o pensamento de Jacques Racnière com o de Giorgio Agamben, foi o questionamento que quis levantar com esse texto.

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