Eleições coloridas, Barack Obama e a economia política do Vale do Silício

Se houve um reordenamento do poder em escala internacional depois do fim da URSS, na virada do século XXI, com o crescente protagonismo dos países do sul global até sua reunião ao redor dos BRICS, os EUA tiveram que redesenhar sua propaganda democrática, virar a página do impopular governo de Bush Jr. e se apresentar “mais colorido” para o mundo. Esse novo episódio da “democracia americana” já em 2007-8 surge junto ao poder das Big Techs, com poder ainda embrionário se comparado com o que possui hoje. Não só: a reorganização financeira após a dita “crise do subprime”, além de ter promovido uma transferência massiva de recursos para as camadas mais ricas do setor econômico transatlântico, forneceu a liquidez necessária para o investimento massivo em novas tecnologias do trabalho, já acentuada por um processo de desindustrialização vigente há décadas. São esses alguns dos aspectos da nova “democracia americana” que comento no novo episódio de meu programa.

(27 min)

YOUTUBE: https://youtu.be/6OMMmMxXevU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Eleies-coloridas–Barack-Obama-e-a-economia-poltica-do-Vale-do-Silcio-e1hnevv

Inflação ou guerra total? Uma resposta a Paulo Gala

Uma pergunta pertinente, porém pouco levantada

Era um fator preocupante a política econômica do Fed e de Bruxelas após 2008, a chamada “flexibilização quantitativa”. No entendimento econômico clássico, a impressão descontrolada de dinheiro para resgatar o sistema financeiro falido poderia lançar uma onda hiperinflacionária global. Contudo, os “mercados” ou quem os controlam parece que tinham planos mais sofisticados do que substituir num curto período de tempo uma tempestade financeira por outra.

O economista Paulo Gala se referiu com perplexidade ao tripé base monetária/juros/dívida pública em países da zona do euro, nos EUA e Japão: como conseguiram aumentar a base monetária e o endividamento público, diminuir os juros, e manter taxas de inflação extremamente baixas? Concordo que essa não é uma resposta simples, porque inflação não condiz com carestia, como é óbvio, como também não está submetida diretamente às chamadas políticas de Estado. Em excelente artigo, Fernando Nogueira da Costa responde “por que o excesso de oferta de moeda, face à demanda agregada, não resultou em inflação corrente?”, mas acredito que podemos ir um pouco mais além.

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Da Crise do Petróleo ao atual paradigma monetário internacional

Eleanor e Franklin Roosevelt em agosto de 1932. Luta contínua para um sistema econômico internacional mais justo e de crescimento conjunto.

Importantes medidas políticas da década de 1970 criaram o atual mercado de alto risco e o de derivativos, além do permanente sistema da dívida dos países latino-americanos. Esse foi a época em que o antigo império territorial britânico se transformou num império predominantemente financeiro. Não um segundo Império Britânico, mas o mesmo, atuando em configurações diversas. A compreensão dessa mudança de paradigma econômico é fundamental para se compreender os motivos de a economia internacional, atualmente, estar “congelada”: à beira da falência e ao mesmo tempo em que nunca foi tão dependente dos mecanismos financeiros criados a partir de 1970.

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