Apple e a multiplicação de homicídios

 

Ainda que seja louvável a iniciativa do novíssimo Jornal do Brasil em relatar em sua manchete principal que a morte por overdoses nos EUA hoje superam em número os homicídios cometidos no Brasil, é ainda insuficiente o esforço de todo e qualquer imprensa em ver a figura toda do que constitui o mercado de drogas global. Ainda mais, a participação no comércio de drogas, tal como as promessas do Vale do Silício, se tornaram uma “carreira aberta aos talentos” tanto no sul global quanto no chamado “setor avançado”, hoje invariavelmente falido. A extrema valorização da Apple em meio à penúria econômica e humanitária (crise de imigrantes, de refugiados), mostra não uma vitória do livre-mercado, mas os vínculos indissolúveis entre liberalismo e genocídio.

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Genocídio e liberalismo

voyager1.net

A facção liberal internacional aponta hoje para um ainda mais estranha imagem do “fim da história”: de um lado, um sistema bancário/financeiro que não consegue viver sem juros baixos, próximos a 0%. Como uma instituição financeira sobrevive sem seu lucro primário, ou seja, o que vem dos juros dos empréstimos bancários? Ainda mais, a possibilidade de aumento da taxa de juros coloca em risco a solvência de todo esse sistema montado ao redor da City de Londres e Wall Street.

Por outro lado, a facção ultraliberal, com seus expoentes mais significativos nos EUA e Europa, lançam uma campanha de guerra incidiosa contra a Rússia e a China, seja pelo !eixo do Pacífico” criado por Obama para conter os “avanços chineses” no chamado Mar da China, com o avanço da OTAN nas fronteiras da Rússia e o uso do “direito de proteger” invocado por Tony Blair em 1999, num prelúdio do que seria todas as justificativas para as “intervenções humanitárias”, desde a Guerra do Iraque até hoje.

O iminente colapso do sistema financeiro transatlântico, como apontado por inúmeras instituições internacionais de diferentes visões políticas, assim como a crescente escalada militar que parte do ocidente para o oriente, traçam duas linhas que podem convergir e levar à impossbilidade de qualquer regime chamado liberal no planeta. O genocídio anda de braços dados com o liberalismo, seja em ações de baixa intensidade (medidas de austeridade econômica, sanções econômicas, guerra comercial, etc.), até a criação de golpes de Estado e a ameaça de guerra, numa etapa bastante acelerada de uma nova Guerra Fria, muito mais “quente” que a anterior.

É essa dicotomia entre liberalismo e genocídio que procurei explorar nesse artigo.

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