Ah, você sabe quem é o Roosevelt! Mas nunca ouviu falar da lei Glass-Steagall? Sei…

Hamilton não era pernambucano, mas também foi Federalista

Roosevelt ficou conhecido por suas medidas econômicas que fizeram reverter a até então maior crise financeira da história, a de 1929. Associaram e ainda associam a relevância de tais medidas a uma suposta influência keynesiana, ou seja, de intervenção estatal na economia e de medidas monetárias expansionistas. Contudo, o afluxo de crédito na produção e a intervenção estatal são modelos anteriores a Keynes, e foi o modelo, conhecido como sistema protecionista, que guiou os Estados Unidos e logo depois a Alemanha, nos dois casos de maior sucesso no processo de industrialização no século XIX. O chamado Segundo Banco dos EUA, dirigido por Nicolas Biddle, por exemplo, seguindo as diretrizes hamiltonianas, foi o responsável pela criação de crédito para a economia física (chamada por alguns de economia real), dentro de um panorama de política econômica que limitava não só as importações, mas também as exportações, no intuito de diminuir a influência das moedas estrangeiras no mercado interno; no caso, a guerra econômica contra a Inglaterra, contra o ouro inglês, visto como inflacionário e anti-produtivo, já que era usado para pagamentos imediatos (fora do sistema de crédito) ou para a poupança que, na época, não utilizava em escala minimamente relevante o ouro como lastro para a liquidez do sistema bancário. Ou seja, poupança, ao contrário da leitura econômica mais tradicional, não significava segurança bancária nem oferta de crédito. Foi a utilização desse sistema econômico que fez os EUA, mesmo com muito menos ouro do que o Brasil, por exemplo (como mostra, por exemplo, Jorge Caldeira em seu livro A nação mercantilista), guiar o maior processo de industrialização jamais visto até então, logo depois seguido pela Alemanha de Bismarck, admirador de List e dos irmãos Carey, ferrenhos opositores do liberalismo britânico.

Essa é a pré-história do que depois será sucedido por debates mais ideológicos, como por exemplo entre os que admiram Adam Smith como precursor de uma política econômica justa e daqueles que preferem Karl Marx. Seu subproduto, é o tipo de discussão nos moldes da Guerra Fria, ou seja, a oposição meramente nominal entre comunistas e capitalistas. Analisar as discussões políticas e econômicas do século XIX é ver sob outros moldes os debates atuais sobre o desenvolvimento e a afirmação da soberania social, para além dos parâmetros de um mundo sob a cortina de ferro.

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