Narrativas do passado: a condição historiadora segundo Paul Ricoeur

Na passagem da publicação de dois livros importantes (“Tempo e narrativa” e “A memória, a história, o esquecimento”), Paul Ricoeur refina seus instrumentos analíticos para buscar a compreensão da escrita dos historiadores. Com o grau de sofisticação alcançado pelos livros de história depois de movimentos como o da micro-história e da 3ª geração dos Annales, história e ficção passaram a ter conexões tão estreitas que passaram a desafiar como nunca antes aqueles interessados no ofício historiográfico. Além dessa abordagem, procuro no programa discutir algumas noções do conceito de tempo em Ricoeur por ter implicações diretas com sua visão da história da historiografia.
 

Sérgio Buarque não-capitalista

Ao contrário de uma leitura uspiana tradicional, a que tem em conta Sérgio Buarque como participante de uma ética do trabalho de tipo weberiana e que sob essa lente enxerga o Brasil como um país incapaz ou com poucas forças para se desenvolver, a visão de um Sérgio Buarque não-capitalista, alheio à leitura de “Raízes do Brasil” de Antônio Cândido através de Roberto Schwarz, mostra alguém não exatamente “socialista”, mas preocupado com o desenvolvimento social do povo brasileiro. Muito mais um nacionalista do que um marxista, bem mais próximo da visão de integração nacional de um José Bonifácio ou JK do que de Max Weber ou outros “estrangeirismos”, uma leitura “de ponta cabeça” de “Raízes do Brasil” aponta para aspectos de longa duração de nossa história enquanto nação e os caminhos para se resolver seus impasses.
 

Foucault e Platão, literatura e história

Olhar Foucault a partir da perspectiva de seus últimos cursos vai além da descoberta de termos e/ou conceitos novos como o de “parresía” e “verdade cínica”. Se existe uma reintrodução de temas literários, supostamente abandonados depois de sua chamada “fase arqueológica”, a maturidade do filósofo aponta também para algo além dessa simples evidência: o diálogo em aberto entre Foucault e a historiografia realizada na época na França (em especial os helenistas da 3ª geração dos Annales) e o cruzamento do que ele chama de “érgon filosófico” com a prova de verdade da escrita entre os gregos. Somente utilizando a literatura e a análise dos mitos (e a história da escrita mitológica) se pode abordar com plenitude os pontos de indiscernibilidade entre vida e obra que fazem alguém (no caso da Grécia em particular, num período de decadência das liberdades democráticas) ser capaz de dizer o verdadeiro. Para além de qualquer análise retrospectiva a respeito do que “Foucault de fato falou”, o que busco são subsídios para um momento além Foucault (pós-foucaultiano) onde, a partir de indícios deixados por sua ampla trajetória intelectual, se pode chegar a lugares que só depois da fase de maturação da obra de um grande pensador pode nos fazer chegar.

YOUTUBE: https://youtu.be/LMVUHcaYuOA

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Foucault-e-Plato–literatura-e-histria-e1hk0tj

ISEB x CEBRAP: o “nacionalismo por subtração” de Roberto Schwarz

Em “O nacional por subtração”, Roberto Schwarz fala de uma estranha sensação de ser brasileiro. Como se toda a produção cultural produzida por aqui tivesse portasse a sensação de ser postiça, imitativa, inautêntica. Apesar de tentar ou parecer tentar se livrar do mal estar, sua abordagem que se pretende “de classe” (marxista) é incapaz de levá-lo a ver em sinal positivo, a enxergar mesmo, a inteligência e a produção cultural do país de forma não só mais ampla, como também mais generosa. Seu pessimismo doutrinário marcou a produção intelectual brasileira, mas só pode ser melhor compreendida se vista em rota de choque com a antiga tradição do ISEB que o CEBRAP acabou por suplantar.

 

YOUTUBE: https://youtu.be/gJmPK-U4kXY

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/ISEB-x-CEBRAP-o-nacionalismo-por-subtrao-de-Roberto-Schwarz-e1hemnk

Sérgio Buarque, Max Weber e uma certa interpretação do Brasil

Há um consenso entre os intelectuais as interpretações de que “Raízes do Brasil” foram marcadas pelo prefácio de Antônio Cândido à obra, escrito em 1967. Nele se plasmou uma leitura weberiana de Sérgio Buarque a partir da noções de “burocracia”, “patrimonialismo” e dos “tipos ideais”. Será que toda essa histórica carga crítica se baseia apenas em um curto texto de apresentação? Houve algum outro movimento intelectual não vinculado diretamente à interpretação do Brasil proposta em “Raízes” que condicionou sua leitura a partir da influência que Weber teria exercido sobre o jovem historiador paulista quando este passou alguns anos na Alemanha? Em última instância, será essa vertente interpretativa hegemônica a mais adequada para os dias atuais? São essas algumas das perguntas que busco responder nesse programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/s8snK_yIHwg

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Srgio-Buarque–Max-Weber-e-uma-certa-interpretao-do-Brasil-e1h325j

Link da aula proferida por mim para a Universidade Federal de Uberlândia: https://youtu.be/q3OQ7hfq40w

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