A nova esquerda política e a luta de classes no Brasil

Barack Obama foi o último grande triunfo do Império. Realizou guerras intermináveis mais do que qualquer outro de seus antecessores, programava todas as terças assassinatos de “dissidentes”, imprimiu uma quantidade quase infinita de dólar para capitalizar fundos especulativos que criaram o novo precariato através da fintechs, organizou um sem número de golpes de Estado mundo afora. Apesar disso, ganhou um Oscar e um premio Nobel da Paz e é a bandeira de determinado tipo de “progressismo” de esquerda baseada numa noção de inclusão com uma visão muito restrita dos problemas sociais e da incrível crise econômica que só se agravou após 2008. Como a nova esquerda política, no Brasil, tem lidado com esses desafios depois da repaginação do imperialismo? Como se organizar atualmente a luta de classes? Qual sentido de democracia hoje nos orienta? É essa uma das questões que tento trabalhar nesse novo programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/StYyHF-gkic

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-nova-esquerda-poltica-e-a-luta-de-classes-no-Brasil-e1k55kd

Obama, o legado do imperialismo e a captura da esquerda

A política neomacartista, antirussa, com a guerra da Síria, o golpe ucraniano e sua extensão dentro do território dos EUA, isto é, o Russiangate, capturou a esquerda com a pauta das fake news, como demonstrei em artigo de 2018 [aqui]. A criação do termo “fake news” abriu precedente para a captura da contestação ao poder pelos grandes meios de comunicação que, hoje através das bigtechs, nos diz o que são ou não fontes confiáveis. A disputa entre fato ou fake é uma aberração positivista.

As políticas de flexibilização quantitativa neokeynesianas de Obama abriram precedente para a efeméride da MMT e do Plano Biden, enquanto faziam girar uma espiral inflacionária e especulativa que mudou na raiz o modo de organização dos países da América do Sul. Através das contabilidades não declaradas ganhas com a impressão indiscriminada de bônus para fundos especulativos, foram financiadas as revoluções coloridas e uma mudança significativa no mercado de trabalho a partir da política do Vale do Silício (escrevi sobre isso em junho de 2019 [aqui]).

O efeito de superfície de um projeto amplo de mudança estrutural do remanescente da sociedade industrial do pós-guerra foi a guerra culturalista ao redor da pauta identitária, variante híbrida das revoluções de cor, em pleno funcionamento agora. A noção de forças produtivas do trabalho desapareceu em prol de uma aliança ampla dos meios de comunicação com a esquerda colorida que não questiona os poderes fáticos e financeiros. É o primado da democracia americana baseada em noções genéricas de liberdade e igualdade.

Enquanto a esquerda não reaprender a questionar, ser o olho vivo sobre o poder, continuará capturada pelo imperialismo que, na quadra atual, foi bem sucedido com a eleição colorida de Barack Obama.