O mundo encantado de Roberto Schwarz

De qual liberalismo fala Roberto Schwarz quando alude a um capitalismo brasileiro onde as ideias estariam fora do lugar? Ao percorrer a bibliografia crítica sobre esta famosa noção do crítico literário, podemos ver uma miríade de liberalismos no Brasil, a sua depuração entre um primeiro momento onde o escravismo se aliava ao livre-comércio até as ideias chamadas de liberais encampadas pelos abolicionistas, ou mesmo a refutação do dualismo entre metrópole colônia, países desenvolvidos e subdesenvolvidos: a formação de uma cultura nacional passa pelas lutas de seu povo, pelo atravessamento de referências culturais diversas que podem ou não passar por matrizes europeias ou norte-americanas. Qual mundo encantado que, sob a palavra “liberal”, Roberto Schwarz acredita que o Brasil enquanto nação jamais poderá alcançar?
 
 

Sérgio Buarque não-capitalista

Ao contrário de uma leitura uspiana tradicional, a que tem em conta Sérgio Buarque como participante de uma ética do trabalho de tipo weberiana e que sob essa lente enxerga o Brasil como um país incapaz ou com poucas forças para se desenvolver, a visão de um Sérgio Buarque não-capitalista, alheio à leitura de “Raízes do Brasil” de Antônio Cândido através de Roberto Schwarz, mostra alguém não exatamente “socialista”, mas preocupado com o desenvolvimento social do povo brasileiro. Muito mais um nacionalista do que um marxista, bem mais próximo da visão de integração nacional de um José Bonifácio ou JK do que de Max Weber ou outros “estrangeirismos”, uma leitura “de ponta cabeça” de “Raízes do Brasil” aponta para aspectos de longa duração de nossa história enquanto nação e os caminhos para se resolver seus impasses.
 

Platonismo vulgar nas “ideias fora de lugar” de Roberto Schwarz

Uma crítica que talvez possa ser feita ao eminente crítico Roberto Schwarz é sobre essencializar o que ele entende por direitos humanos. Ao colocar como pré-definidas determinadas formas consideradas de progresso do história europeia, acabaria ele julgando ou pré-julgando o desenvolvimento histórico brasileiro? Por que existiria uma “ideia” e necessariamente no nosso país ela estaria “fora de lugar”? Não seria a própria ideia de direitos humanos, tratada de uma forma que não se questiona ou seus princípios, uma outra forma de etnocentrismo? São essas algumas das indagações que faço ao famoso intelectual paulista.

YOUTUBE: https://youtu.be/2e5GCDGuPyk

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Platonismo-vulgar-nas-ideias-fora-de-lugar-de-Roberto-Schwarz-e1h81h8

7 motivos para ler Alberto Mussa, o escritor que você precisa conhecer

Foto: Paula Johas

Você conhece Alberto Mussa? Não? Pois apresento. Carioca, 56 anos, e um dos escritores mais originais do país. Já ganhou prêmios como o Casa de Las Américas, Machado de Assis, Biblioteca Nacional e Oceanos, mas, como sabemos, essas honrarias não são suficientes para que um escritor se torne conhecido do grande público brasileiro. Continue lendo “7 motivos para ler Alberto Mussa, o escritor que você precisa conhecer”

A estética como política: às margens da literatura contemporânea

Para Rancière, arte implica na constituição das formas de vida “comum”, passa pela constituição da voz àqueles que só podem murmurar ou fazer barulho. Como esse conceito tem implicações para a literatura contemporânea, especialmente a brasileira, caso se considere como precursor da passagem da “sociedade punitiva” para a “sociedade de controle”, as literaturas de Kafka e Beckett? Fazendo convergir o pensamento de Jacques Racnière com o de Giorgio Agamben, foi o questionamento que quis levantar com esse texto.

Continue lendo “A estética como política: às margens da literatura contemporânea”