Porque escolher Amorim seria uma opção “cirista” do PT

Foto: Ricardo Stuckert

Nada contra o ex-Ministro. Muito honrado, de conduta ilibada, trabalho reconhecido internacionalmente, um quadro dos mais qualificados tecnicamente do Partido dos Trabalhadores e do Brasil, e a quem, pessoalmente, devoto a mais legítima admiração. O problema de um possível escolha de Celso Amorim para vir como vice de Lula e, caso o Estado de exceção prevaleça, ter o Chanceler como candidato a presidente, é o problema moral que essa escolha pressupõe. […]

Teoria do domínio da mídia

A questão da “teoria do domínio da mídia” ressignifica boa parte do que foi criticado como a “teoria do domínio do fato”. Elas simplesmente pulverizam qualquer visão superior para dar conta dos inumeráveis fatos, em boa parte conflitantes, e nivelam por baixo o que poderia ser uma visão integradora, hegemônica, em favor do Brasil.

Nesse caso, a chamada “mídia progressista” abraça a velha mídia e cantam em conjunto.

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Lula e não Sérgio, mas Aldo Moro

O cativeiro de Aldo Moro. Qualquer coincidência com a prisão política de Lula pode não ser mero acaso.

Olhar para a história italiana da década de 1970 é como olhar para a história atual do Brasil num espelho invertido. Lá, a derrota começa com o assassinato de seu maior líder político, Aldo Moro. A tentativa de assassinato político de Lula, que é vista no conjunto onde se vemos o processo de impeachment, a tentativa de fechar o Partido dos Trabalhadores, e a imposição impopular de medidas econômicas colonizadoras, parece que faz reverter o sentido da história. A facção ultraliberal se move aceleradamente para o suicídio. O problema é que, antes disso, querem levar a maior parte da população junto com eles.

Para quem acha que comprar Lula com Mandela ou Gandhi é extremamente vago ou só serve para colocar nosso maior líder político como morto, o caso de Aldo Moro mostra uma continuidade real com o caso Lula, ou seja, permite traçar uma continuidade histórica quase que concreta entre casos distintos, e que demonstra o similar desenvolvimento das mesmas forças políticas, tanto do lado retrógrado quanto de movimentos progressistas da humanidade.

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Um caso claramente julgado, mas não esclarecido pela lei

Lula recebe o carinho de crianças no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde acompanhou atos pelo país – Ricardo Stuckert – Brasil de Fato

 

O ato sublime

É incontestável que Lula foi mais do que julgado. Como é corriqueiramente, cotidianamente, desde que emergiu à cena pública, às vezes de forma mais ou menos vigorosa (para o bem ou para o mal), outras de maneira branda, tal como fato consumado (para o bem ou para o mal). Ele agora foi suficientemente julgado de maneira formal, porém nada foi esclarecido legalmente. Contudo, Lula conseguiu criar o fato político que o Moro não queria que fosse criado. Se anos atrás vivemos momentos históricos com o sapo barbudo quando ele sempre dizia “nunca antes na história desse país”, não foi diferente os últimos dias em São Bernardo do Campo. Não é porque é tragédia que não é um momento sublime. Momento dos poetas e dos titãs. […]

Lula em “pratos limpos”

Os juizes celebridades italianos

Praticamente toda a “força tarefa” da “mani pulite” se engajou na política.

Texto de minha autoria publicado no Brasil Debate

Ao tratar da Lava Jato, o presente artigo busca não os desdobramentos da operação, mas suas origens, no artigo escrito em 2004 por Sérgio Moro em que exalta a operação Mãos Limpas, na Itália. A colaboração da Transparência Internacional foi fundamental para que a operação fosse realizada, assim como os movimentos de consolidação do sistema euro no país. Buscamos os fundamentos históricos de ambos os fenômenos no que Michel Foucault chamou de “grande encarceramento”, e os fundamentos filosóficos a partir do conceito de “sistema da crueldade”, de Friedrich Nietzsche. Trocam-se as “mãos limpas”, como o protótipo de muitos juízes, Pôncio Pilatos, pelos “pratos limpos”: com Lula, pratos limpos por causa da fome saciada; com Moro, por causa do aumento alarmante da miséria. […]

Por que um novo Bogotazo? Por que assassinar politicamente Lula?

Uma das imagens do infame Bogotazo

Da página criada por esse blogueiro, União Revolução e Estado Democrático. Clique no link e siga a página.

Por que assassinar Gaitán?

O ministro Eugênio Aragão, em publicação essa semana na revista Carta Capital (985), faz um chamado à paz, mesmo que esta seja considerada como um grito de guerra: “sempre é bom lembrar duas coisas: uma, como já dizia Lafayette, pode-se fazer muitas coisas com baionetas, menos sentar-se em cima delas; outra, a história é um processo contínuo e sua marcha é inexorável; quanto mais se reprime, mais a resposta será dura. Senão hoje, amanhã ou depois”.

Defender Lula é defender o processo menos traumático para nossa democracia, pensando mesmo no lado dos nossos opositores: “a saída negociada ainda é a que oferece menos riscos e pode desembocar num cenário de transição mais suave. Lula é essa saída. Fechá-la é abrir espaço para o descontrole do processo político, que vitimizará, em primeiro lugar, os repressores e seus instigadores”..

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