O Mais Médicos e os dilemas para uma Medicina Social

No último livro do Roberto Machado, ele se dá a liberdade de finalmente não ser o teórico ou o professor. Diz que finalmente pôde exercitar a prática literária, algo que sempre deixou de lado por causa dos estudos filosóficos. Não tinha tempo para a literatura. Aposentado, não escreveu um livro de ficção, mas de histórias, de relatos da convivência pessoal que teve com Michel Foucault nas suas passagens aqui pelo Brasil, onde Roberto parecia ser seu guia e também seu estudante mais aplicado. Num documentário recente que assisti sobre o Mais Médicos, programa marcado para morrer em breve (talvez por volta de novembro os médicos cubanos comecem a ir embora). É porque quando estavam na Bahia, foram visitar o Pelourinho. E lá Foucault viu a realidade da prostituição, da pobreza humana, dos esgotos a céu aberto. E aí ele exclamou (palavras minhas do que ouvi da palestra do professor, ou seja, não literais): “Mas Roberto, tudo bem que escrevi sobre a medicina social, fiz uma crítica forte a respeito, mas isso aqui é indecente”.

O curioso do documentário do Mais médicos são os questionamentos sobre como tratar sem descuidar, sem, por medidas de força (nem que seja a força moral da autoridade médica), populações com práticas sociais e médicas totalmente diferentes? Onde, por exemplo, a religião assume um papel ainda preponderante, e que não é por um suposto saber científico, por mais “suave” que seja, irão conseguir atingir.  Todo um campo de estudo pode ser aberto caso olhemos para essas histórias.

 

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