Como o governo britânico criou uma rede de fake news para derrubar Bashar Al-Assad

Do serviço de informações da Executive Intelligence Review

Ben Norton, no The Grayzone, publica documentos vazados que mostram como empresas contratadas pelo Reino Unido desenvolveram uma poderosa infraestrutura de propaganda para construir apoio no Ocidente para a oposição síria. De imagens de televisão a revistas, cartões-postais e pôsteres, aviso por mensagens, layout e design a contatos na mídia, eles criaram um fluxo de propaganda destinada a derrubar o governo sírio:

Continue lendo “Como o governo britânico criou uma rede de fake news para derrubar Bashar Al-Assad”

A posição de Trump diante do complexo industrial-militar

O atual debate de teor acadêmico transplantado para as redes sociais, um suposto embate entre stalinismo e liberalismo, só pode ser considerado um debate político de segundo ou terceiro grau, porque ajuda mais para confundir do que para entender o casamento singular nos dias de hoje entre o modelo da soberania e o da biopolítica. Tanto Stálin quanto Vargas, Mussolini, Hitler e Perón (entre outros) são exemplos de poder soberano de tipo autocrático, e que não sem um delicado debate podem se tornar ou não comparáveis.

O lado positivo do desentendimento que vemos foi o escancarar dos crimes dos liberais, tanto em sua vertente clássica quanto na que se estabeleceu no pós-guerra. Contudo, o debate de teor acadêmico acaba caindo no ridículo: Domenico Losurdo e Hannah Arendt aparecem como polos opostos, quase como se fossem rivais intelectuais, enquanto Churchill e Stálin se engalfinham para ver quem foi melhor ou “menos pior”.

O pequeno texto que segue é um breve estudo de caso, cujo intuito é mais esclarecer o debate político atual e mostrar, a partir de articulações já bem estabelecidas, as ambiguidades, limitações e perigos do singular casamento no séc. XXI entre soberania e biopoder.

Continue lendo “A posição de Trump diante do complexo industrial-militar”

A lógica da Guerra Fria no séc. XXI

Um conceito referência do período das lutas operárias antes da 2ª Guerra Mundial, o de Greve Geral, parece hoje tão impossível quanto ostensivamente fica “sob os olhos” das organizações operárias. A lógica da Guerra Fria foi tão tóxica às organizações populares que, depois da reorganização das relações internacionais com o fim do sistema de Bretton Woods em 1971 [aqui], um caso clássico de greve geral foi a organizada no Chile contra o governo de Salvador Allende.

Continue lendo “A lógica da Guerra Fria no séc. XXI”

A política institucional e a espiral do silêncio

Tento escrever direito…

É curioso publicar em blogs de esquerda e aqui e ali ser questionado sobre os motivos de eu não “escrever direito”. Não é por escrever mal: não se trata disso. O problema não é de linguagem: não há linguagem rebuscada nem linguagem mal articulada. Seria (talvez em resumo) um acúmulo grande de ideias que “esquerdizam” a cabeça do leitor. Seria, talvez, o contrapelo da informação objetiva e até das metas da boa consciência crítica, sempre calcada num determinado ideal de objetividade, que se quer chegar com – por favor – um não acúmulo, em demasia, de ideias. Para se ser “bem pensante” tem que se “escrever direito”, mesmo se você é de “esquerda”.

Machado e não Lima Barreto, é o que penso. Ou José de Alencar (o “intelectual contente”, segundo Joel Rufino) e não Sousândrade (o “terremoto clandestino”, segundo os irmãos Campos). Não se vai muito longe assim…

Continue lendo “A política institucional e a espiral do silêncio”

A atual posição do The Intercept sobre Trump

Não é de hoje que o portal The Intercept, apesar de adotar uma linha de radical oposição ao governo de Donald Trump, consegue se posicionar lucidamente a respeito das insanidades que a mídia americana e os neocons cometem não contra Trump, mas contra seu país. Que o recente posicionamento editorial do portal sirva não para se “pegar leve” com Trump, mas para aprimorar nosso senso crítico e ver o conjunto mais amplo dos graves dilemas existenciais pelos quais passa o mundo atualmente.

Continue lendo “A atual posição do The Intercept sobre Trump”

Há cinquenta anos foi feita uma grande promessa para a humanidade

A passeata dos cem mil no Rio de Janeiro: mais uma data simbólica do ano de 1968

Caso for levado em consideração um panorama mais amplo, o demagogo Jair Bolsonaro e seus asseclas não terão um dia fácil nos próximos meses. Cinquenta anos atrás uma grande promessa foi feita a humanidade. Aguardamos pelo seu cumprimento, cuja origem se deu como resultado das fecundas movimentações políticas mundo afora abortadas cinquenta anos atrás. Elas não se calaram e podem ser retomadas a qualquer instante, dado a imensa aceleração do tempo histórico que agora, mais do nunca, nem mesmo no longuíssimo século XX, vivenciamos. 

Continue lendo “Há cinquenta anos foi feita uma grande promessa para a humanidade”

Tu, castrista maior, és a ilusão brasileira!

Primeiro uma mãe escolhe como seu líder predileto alguém armado ou que se rodeia de pessoas com armas. Essa pessoa, pelo autoritarismo e o uso da força bruta, fascina. Ela é que deverá, em curto prazo, remover toda a miséria social, tudo o que, ainda na linguagem teológica, se chama de corrupção. Esse príncipe dourado parece com a imagem que os antigos judeus tinham de seu Messias, aqueles que tomaram um susto ao se verem apresentados a um outro messias, montado num pequeno jumento e recebido pela população com ramos de árvores.

Ao contrário de qualquer exemplo bíblico, de uma hora para outra, o príncipe festejado com seus faustos e ouropéis começa a perseguir o filho dessa mãe. Logo depois, persegue os filhos de seu filhos. Para não deixar dúvida,  muitas pessoas próximas e queridas de dentro ou fora da família, passam a sofrer do mesmo destino.

Quantas mães, na história brasileira, não podem relatar essa história, esse drama?

Continue lendo “Tu, castrista maior, és a ilusão brasileira!”

Obama os enjaulou e depois deu-lhes um cobertor

O governo de Obama deve ser comparado não ao de Trump, mas ao de Bush Jr. Do 11/09 ao Ato Patriota, da crise financeira até os atos de espionagem, pode-se ver uma imensa contraofensiva imperial para sabotar o desenvolvimento econômico sul-americano, asiático e africano, que foram pautas da agenda política mundial da primeira década desse século.

Sobre a questão dos imigrantes, “Fotos de instalações de detentos nas fronteiras da era Obama, tiradas em 2014, parecem quase idênticas as que foram tiradas durante a era Trump.

Você nunca as viu, contudo. Aqui elas estão, tiradas em 2014 durante uma viagem de organismos de imprensa para as instalações carcerárias de Brownsville, Texas, e Nogales, Arizona”.

Por que só agora a gritaria?

Continue lendo “Obama os enjaulou e depois deu-lhes um cobertor”

Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA

MIKHAIL/POCHUYEV/TASS/ALAMY

Os jornais da imprensa internacional inventaram o termo “fake news” logo após a eleição de Donald Trump nos EUA. Foi uma vitória que surpreendeu muitas pessoas e os ultraliberais de lá (facção que interpartidária, neoliberal e pró-guerra, como Hillary Clinton e John McCain) começar a acusar os russos de terem interferido nas eleições americanas. É como Putin sempre diz quando perguntado sobre o assunto (ver a entrevista dada a NBC logo após seu pronunciamento bombástico em 1º de março): “Não existem qualquer provas de que o Estado russo tenha interferido em eleições estrangeiras. Contudo, nenhum ofício do governo americano foi enviado à minha administração. O que existe são acusações da imprensa e de ex-funcionários do governo hoje investigados. Os EUA dizem para mim que podem interferir nas eleições de qualquer país porque estão levando a democracia, mas os russos não podem porque são autocratas” (tradução não literal da entrevista acima citada). Continue lendo “Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA”

Putin Dá um Novo Choque ‘Sputnik’: “Eles agora terão de nos ouvir!”

Declaração Anual de Putin a Assembleia Federal, 01 de março de 2018 – Moscou (en.kremlin.ru)

A exclusão da Rússia dos tratados ABM (sobre a construção de mísseis anti-balísticos) em 2002, assim como a crescente presença da OTAN nas fronteiras russas (considerada uma “Crise dos mísseis” invertida”), principalmente depois do golpe de Estado na Ucrânia, fizeram com que a Rússia de Putin respondesse de maneira surpreendente às ameaças de guerra, fazendo lembrar os dias mais angustiosos da Guerra Fria.
 
Quando vemos em ação o chamado “perigo vermelho” por aqui, principalmente no campo da esquerda, que sofre seus ataques, vemos que participamos de um enredo muito mais amplo e complexo – e perigoso. Qualquer semelhança com a década de 1960 não é coincidência. 
 
Abaixo, o artigo traduzido por mim para a Executive Intelligence Review


Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

Para ler o artigo completo no formato pdf, em inglês, clique aqui.


Atualizado, com a revisão final do texto, em 9 de março de 2018.

Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

Continue lendo “Putin Dá um Novo Choque ‘Sputnik’: “Eles agora terão de nos ouvir!””