Guerra de facções num mundo sem povo

A recente mudança de hegemonia

Entre 2014 e 2016 assistimos a uma escalada militar sem precedentes desde a Crise dos Mísseis. Ao contrário da histeria macartista da atual Guerra Fria, o conflito entre EUA e URSS foi televisionado. Era um conflito aberto desde que Churchill iniciou a guerra com os soviéticos em seu discurso sobre a Cortina-de-Ferro. Para alguns, foi o início da recolonização dos EUA pelo Império Britânico…

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Ditadura ou Wuhan?

Os teólogos declararam que não podiam definir claramente o que Deus é, mas em seu nome eles ditavam regras de conduta para os homens e não hesitavam em queimar hereges; os virologistas admitem que não sabem exatamente o que é um vírus, mas em seu nome afirmam decidir como os seres humanos devem viver“. Giorgio Agamben, 22 de abril de 2020.

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Putin e a busca por um novo Bretton Woods

A atual mudança geral da estrutura do governo da Rússia não tem relação, como a mídia internacional quer fazer crer, com a tentativa de implantar uma ditadura no país com Putin como novo Czar. Essa é a leitura da City de Londres, da The Economist e de todos os órgãos informativos que somente repercutem as ordens de seu senhores. Posicionando-se assim, ignoram os conflitos políticos internos do país, assim como o novo desenho econômico internacional hoje capitaneado por Rússia e China após a dissolução dos BRICS. É preciso olhar para Rússia sem o temor macartista, ou seja, através das lentes do imperialismo internacional. Um “novo pacto” é necessário, não apenas no Brasil como no mundo, para que se alcance novamente o crescimento econômico e o bem estar das populações, sem a praga do monetarismo e os fantasmas produzidos pela imprensa oligopolizada do eixo transatlântico.

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Os terraplanistas da 4ª Revolução Industrial

A suposta “4ª Revolução Industrial” e a geopolítica

Em entrevista ao canal do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, o jovem economista Diógenes Moura Breda apresentou alguns dados retirados de projeção do Banco Mundial, segundo os quais, em futuro próximo, 50 milhões de postos de trabalho estariam em risco por causa da 4ª Revolução Industrial. Por causa do processo de robotização, nanotectonologia, uso de super condutores e inteligência artificial, ou seja, uma nova mecanização do trabalho, poderia reeditar o modelo de superexploração do trabalho com a migração em massa das empresas multinacionais para países com mão-de-obra mais barata, como ocorrido a partir da década de 1970.

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Há dez anos, Lula e Dilma traziam estabilidade para a América do Sul

No dia 23 de maio de 2008 foi criada a Unasul, em Brasília. Um longo percurso possibilitou sua existência: Hugo Chávez se tornou presidente da Venezuela em 1999 e, em 2002, saiu-se vitorioso diante de um duro golpe de Estado. Logo em 2003, Lula assumia a presidência do Brasil, seguido poucos meses depois por Néstor Kirchner, na Argentina. Formava-se a aliança que rapidamente dinamizou as relações entre os países do cone sul, assim como foram formuladas políticas em favor da autonomia da região após a suposta vitória do consenso neoliberal que seguiu a queda do muro de Berlim.

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Alguém ficou muito nervoso com a influência de LaRouche no Brasil

Da Executive Intelligence Review

A revista Veja de 12 de janeiro de 2019 abriu suas páginas para uma longa difamação de Lyndon LaRouche e do Instituto Schiller, camuflado como um ataque a Murilo Resende, então recémnomeado pelo governo Bolsonaro para um cargo mediano no Ministério da Educação. O autor, Eduardo Wolf, PhD em filosofia pela Universidade de São Paulo, denunciou Resende por plagiar um artigo publicado pelo movimento de LaRouche nos idos de 1992, intitulado “Nova Idade Média: a Escola de Frankfurt e o ‘politicamente correto’”. Depois de se ocupar com o assunto do referido plágio, enquanto fazia uma defesa total da Escola de Frankfurt, Wolf foi para a questão em pauta: difamar Lyndon Larouche.

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Hélio-3: o combustível do futuro no satélite natural da Terra

 (Foto: AFP Photo/Mark Ralston)

Texto traduzido por mim do site da tv chinesa CGTN

Nenhum ser humano colocou os pés na superfície lunar desde que a missão americana Apollo terminou, em 1972. Desde quase cinco décadas para cá, a lua não é mais vista apenas como o satélite natural da Terra.

Independente de missões tecnológicas, os cientistas têm pesquisado ao longo dos anos a presença de metais preciosos e fontes energéticas desconhecidas que possam ser usadas na Terra.

Mas por que as pessoas continuam a trabalhar na exploração da lua? Talvez aqui possa estar a resposta.

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Há cinquenta anos foi feita uma grande promessa para a humanidade

A passeata dos cem mil no Rio de Janeiro: mais uma data simbólica do ano de 1968

Caso for levado em consideração um panorama mais amplo, o demagogo Jair Bolsonaro e seus asseclas não terão um dia fácil nos próximos meses. Cinquenta anos atrás uma grande promessa foi feita a humanidade. Aguardamos pelo seu cumprimento, cuja origem se deu como resultado das fecundas movimentações políticas mundo afora abortadas cinquenta anos atrás. Elas não se calaram e podem ser retomadas a qualquer instante, dado a imensa aceleração do tempo histórico que agora, mais do nunca, nem mesmo no longuíssimo século XX, vivenciamos. 

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Ainda Bannon: o recuo nas relações China-EUA

Steve Bannon e seu bilionário chinês, Guo Wengui

Como a reunião de cúpula do G-20 demonstrou, duas distintas facções da elite internacional trabalharam para boicotar o entendimento político dos EUA com a Rússia, via Ucrânia, e para boicotar o entendimento econômico da China com os americanos através da prisão política no Canadá da executiva chinesa. De maneira flagrante se demonstra ser de fachada o “antiglobalismo” da nova extrema-direita mundial. Ela se move em passos céleres para boicotar o desenvolvimento econômico chinês e asiático, enquanto os neocons, os ultraliberais, ainda mexem suas peças para uma provocação militar de larga escala contra a Rússia.

O Império move o mundo para o Coração das Trevas.

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Levar ao centro o Centro do Mundo

Roma e Pasolini (bastidores do filme O Evangelho segundo São Mateus)

“Profetizo a idade em que o novo poder usará suas palavras libertárias para criar um novo poder homologado, para criar uma nova inquisição, para criar um novo conformismo. E seus clérigos serão clérigos da esquerda “. [Pier Paolo Pasolini]

Queria tratar de dois assuntos que vem me intrigando bastante nas últimas semanas. Um é o caso do Mefistófeles contemporâneo, o tal do Steve Bannon. O outro é o caso da Itália. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini parece ter ficado muito empolgado com a eleição de Bolsonaro, mesmo depois de ter sido colocado no seu lugar pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Aparentemente, o partido Liga, de Salvini, é mais elitista e direitista, e não o partido Cinco Estrelas. Ambos, entretanto, surgiram no contexto de falência dos partidos políticos do pós-Mãos Limpas e através de mobilizações em redes sociais, como é marca depois das “revoluções coloridas” de cinco anos para cá.

Como Bannon sediou o seu O Movimento em Roma (a “Universidade do populismo”), e a Itália de certa maneira parece ora contradizer ora ir em encontro direto ao Mefisto, encadeei os dois assuntos para dar um panorama de como se mexe o chamado “populismo” na Itália. Sem dúvida esse é um movimento ainda mais importante do que o tão comentado Brexit e, de certa maneira, tem o potencial de confronto com a Troika que a Grécia em seu momento não teve. Ainda mais, os papéis exercidos por Rússia e China são ainda mais relevantes nesse embate, sintoma de uma crise existencial não vista há décadas no Ocidente.

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