Ainda Bannon: o recuo nas relações China-EUA

Steve Bannon e seu bilionário chinês, Guo Wengui

Como a reunião de cúpula do G-20 demonstrou, duas distintas facções da elite internacional trabalharam para boicotar o entendimento político dos EUA com a Rússia, via Ucrânia, e para boicotar o entendimento econômico da China com os americanos através da prisão política no Canadá da executiva chinesa. De maneira flagrante se demonstra ser de fachada o “antiglobalismo” da nova extrema-direita mundial. Ela se move em passos céleres para boicotar o desenvolvimento econômico chinês e asiático, enquanto os neocons, os ultraliberais, ainda mexem suas peças para uma provocação militar de larga escala contra a Rússia.

O Império move o mundo para o Coração das Trevas.

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Levar ao centro o Centro do Mundo

 

Roma e Pasolini (bastidores do filme O Evangelho segundo São Mateus)

“Profetizo a idade em que o novo poder usará suas palavras libertárias para criar um novo poder homologado, para criar uma nova inquisição, para criar um novo conformismo. E seus clérigos serão clérigos da esquerda “. [Pier Paolo Pasolini]

 

Queria tratar de dois assuntos que vem me intrigando bastante nas últimas semanas. Um é o caso do Mefistófeles contemporâneo, o tal do Steve Bannon. O outro é o caso da Itália. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini parece ter ficado muito empolgado com a eleição de Bolsonaro, mesmo depois de ter sido colocado no seu lugar pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Aparentemente, o partido Liga, de Salvini, é mais elitista e direitista, e não o partido Cinco Estrelas. Ambos, entretanto, surgiram no contexto de falência dos partidos políticos do pós-Mãos Limpas e através de mobilizações em redes sociais, como é marca depois das “revoluções coloridas” de cinco anos para cá.

Como Bannon sediou o seu O Movimento em Roma (a “Universidade do populismo”), e a Itália de certa maneira parece ora contradizer ora ir em encontro direto ao Mefisto, encadeei os dois assuntos para dar um panorama de como se mexe o chamado “populismo” na Itália. Sem dúvida esse é um movimento ainda mais importante do que o tão comentado Brexit e, de certa maneira, tem o potencial de confronto com a Troika que a Grécia em seu momento não teve. Ainda mais, os papéis exercidos por Rússia e China são ainda mais relevantes nesse embate, sintoma de uma crise existencial não vista há décadas no Ocidente.

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Uma Comunidade para o Futuro Compartilhado da Humanidade: a Perspectiva Estratégica da China para 2050

Xi Jinping quando abriu a Cidade Proibida chinesa para receber Donald Trump.

 

Texto traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

Essa apresentação foi preparada antecipadamente para a participação da sra. Helga Zepp-LaRouche, em Moscou, na 23ª Conferência Acadêmica Internacional do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Academia Russa de Ciências (ARS),  no Conselho Acadêmico de Estudos Avançados da China Contemporânea, intitulada “A China, a Civilização Chinesa e o Mundo: Passado, Presente e Futuro”, que ocorreu durante os dias 24 e 25 de outubro.

Lyndon LaRouche foi uma dos palestrantes de destaque numa conferência do ARS em 2003 sobre “A China no Século XXI: Oportunidades e Desafios da Globalização”. Essa conferência foi a 14ª Conferência Internacional sobre “A China, a Civilização Chinesa e o Mundo: Passado, Presente e Futuro”.

A grande questão que deveria preocupar toda a humanidade pensante nesse planeta, é fundamentalmente a mesma que foi calorosamente debatida na jovem república americana, como relatada n’O Federalista, “A sociedade humana é capaz de uma forma eficiente de autogoverno?”. Somente agora essa não é uma questão para uma nação apenas; ela diz respeito a humanidade como um todo e para a necessidade de um novo paradigma no ordenamento mundial. […]

O homem como força geológica planetária

Vladimir Vernadsky é figura central da ciência mundial. Aluno de Mendeleiev, inspirado nas pesquisas de Pasteur e desenvolvedor das primeiras pesquisas atômicas na Rússia, é estudado não só no contexto da biologia, da química e da geologia, mas também como arma de guerra aos dogmas neomalthusianos de “crescimento zero”, do darwinismo britânico como versão da doutrina de “luta de todos contra todos”, de livre-mercado do Império Britânico. Infelizmente, sua versão americana e mais popular o tornaram uma espécie de “enlatado made in USA”, ou seja, um dos pais do ambientalismo e da “teoria de gaia”. […]

A iniciativa Um Cinturão, Uma Rota explicada

A área da alfandega de Qingdao, na costa leste da China, faz parte da iniciativa Um Cinturão, Uma Rota. Zhang Jingang | China Daily

Do Global Times

A China está trabalhando para reviver as antigas rotas comerciais da Rota da Seda da Ásia até a Europa com o seu megaprojeto transnacional chamado iniciativa Um Cinturão, Uma Rota.

Com a respeitável quantia de 900 bilhões de dólares em investimentos planejados para construir ferrovias, portos e demais infraestruturas em 65 países ao longo da rota, a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota é historicamente a maior estratégia de investimento estrangeiro feito por um único país na história mundial.

O novo plano da Rota da Seda, em Pequim, ganhou maior atenção à medida que a oposição ao livre comércio e às fronteiras abertas aumentou nos países ocidentais, em meio ao voto pelo Brexit e à eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

A China respondeu a isso defendendo os benefícios da globalização e do multilaterialismo e pela promoção de suas próprias iniciativas econômicas, como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o acordo de livre comércio RCEP em toda a Ásia e – acima de tudo – a inciativa Um Cinturão, Uma Rota.

Veja aqui o que é a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota e como ela pode mudar o mapa econômico e político do mundo. […]

A Crise dos Refugiados Atinge o Mundo Inteiro: a Única Solução é o Desenvolvimento Econômico

O importante do acordo entre a Coreia e os EUA é que ele foi costurado junto com a Rússia e a China. Isso não foi um ato isolado das partes. Os EUA não teriam poder de dissuasão sem o apoio do Putin e do Xi Jinping. Mas o mais importante é que essa atitude do Kim Jong-un veio logo após a Rússia ter anunciado sua nova classe de armamentos, o que colocou os EUA na defensiva, e de conversas entre a Coreia do Norte e os países asiáticos no ano passado, durante o Fórum Econômico realizado em Vladivostock. Dali passou a ser costurado o acordo.

A crítica ao discurso do Trump deve ser feita no sentido de que 90% do que ele fala é jogo de cena. Já foi esquecido que esse encontro foi adiado recentemente porque um dos membros de seu governo queria uma solução estilo Líbia para a Coreia. Isso pegou muito mal e se teve que adiar essa conversa. Teve um artigo publicado no Diário da Liberdade que penso traduzir bem esse jogo de cena, espécie de “Você congela, eu congelo”, que não tem nada a ver com o que ocorre de fato: https://gz.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/item/233682-resultados-reais-do-encontro-trump-kim-voce-congela-eu-congelo-e-coisas-engracadas.html

O importante desse encontro é a disposição do Trump para o diálogo. Isso pode parecer irrealista, mas foi exatamente isso que o fez ganhar as eleições. Os democratas continuam com a defesa da política de “mudança de regime”, da criação de “zonas de exclusão aérea” (essa era a proposta da Hillary para a Síria, o que inevitavelmente levaria a um conflito com a Rússia, já que o apoio dos russos aos sírios se baseia na força aérea; e mais, a “zona de exclusão” serviria para abater qualquer aeronave que não pertencesse à OTAN, estando ou não em voo; dá para se imaginar daí as consequências), além da defesa do liberalismo econômico mais ortodoxo, tanto dentro quanto fora das fronteiras do país.
Coloca-se o Trump como um “inimigo da democracia”, mas é desse tipo de democracia à ocidental. Na verdade, ele tem todas as características, se nos basearmos apenas nas manchetes da grande mídia, de um Putin americano. É caricato. Não é por outro motivo que se alardeia agora sobre a prisão de crianças, fato tão antigo na história daquele país e que, num passe de mágica, vira culpa do “autocrata”. É para desviar a atenção do significado histórico desse encontro. Mais do que um suposto acordo de paz, o fato é que o desmantelamento, nos EUA, do “Russiangate”, permitiu agora ao Trump avançar mais em seu contato com os países asiáticos, inclusive ao colocar novamente na pauta um encontro com Putin, algo fundamental desde a última aventura na Síria.
O que eu concluo das conversas com os amigos que tenho nos EUA é que com a Hillary não haveria solução de continuidade para uma política de détente entre americanos e russos. Estaríamos próximos ao precipício, como chegamos algumas vezes com o governo de Obama, tanto por sua promoção às revoluções coloridas, como pela pretensão de continuar o avanço da OTAN no leste europeu e a construção do escudo anti-mísseis (com potencial não só de defesa, mas de ataque nuclear) nas fronteiras com a Rússia. Esse é o lado sombrio. E tem toda a história a respeito da Nova Rota da Seda, que é um programa já em curso em inúmeros países asiáticos, em parte da África, comparado a um Plano Marshall pelo menos 100 vezes maior. A iniciativa de cooperação econômica encabeçada pela China é a única solução para superar os problemas do Oriente Médio, conectando a Europa a Ásia, como foi o objetivo de grandes lideranças no século XIX como Gabreil Hanotoux, na França, Sergei Witte, na Rússia, e Bismarck, na Alemanha. 
Bom, mas falar mais ultrapassa os objetivos dessa nota: o discurso tão criticado de Trump aparece, para nós, descontextualizado. Mas como texto abaixo é de uma estrangeira, de uma alemã falando da situação internacional e dos EUA em particular, não dá para se pedir tanto (ou seja, que se contextualize para nós, que desnaturalize sua fala). E que se conheça o trabalho de quem escreveu para se poder criticar com mais propriedade sua fala.

O texto abaixo foi traduzido por mim para a Executive Intelligence Review […]

Paradigmas para o combate a fome: China, Cuba, Brasil

 

Tanto a China quanto a Rússia, nos últimos anos, tem anunciado metas ambiciosas de combate à pobreza. Como tudo o que é chinês, é grandioso o que se diz naquele país sobre o fim da fome e da miséria. Contudo, somente depois de cumpridas condições bem particulares, os dois países asiáticos se lançaram nessa campanha. O Brasil continua sendo, no século XXI, o modelo para outros países. Não muito diferente do que foi Cuba para o século passado. O ponto a ser considerado é por que, até hoje, a atenção ao social se moveu de maneira paralela, porém não concomitante, ao desenvolvimento científico e tecnológico. E isso desde os grandes surtos industrializantes no século XIX, seja nos EUA ou na Alemanha, como casos clássicos.

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A ciência para acabar com a pobreza: se a China pode, por que não podemos?

A ciência para acabar com a pobreza: se a China pode, por que não podemos?

Traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

 

O Instituto Schiller está circulando essa resolução a nível internacional.

Junte-se a nós!

Atualmente existem mais de 200 milhões de pessoas pobres na Iberoamérica e no Caribe – quase um terço da população total da região – e esta porcentagem tem crescido nos últimos anos. A pobreza não é uma condição natural do homem; ela pode ser eliminada em uma geração. Mas não se vai chegar a esse resultado agindo como se o problema não existisse, nem lamentando o triste fato, nos resignando frente a sua existência; muito menos adotando posturas ideológicas tão impotentes como falsas, como por exemplo, colocando a culpa nos “mercados”.

A China tem demonstrado que se pode eliminar a pobreza e que há uma ciência para isso. A China reduziu o número de pobres de 875 milhões em 1981, a 30 milhões em 2018 – uma redução de 97%! –, segundo as estatísticas do Banco Mundial. E o governo de Xi Jinping se comprometeu a eliminar completamente a pobreza no país até o ano 2020.

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O Fórum China-Celac abraça a iniciativa chinesa Um Cinturão, Uma Rota: Fará os EUA?

Fonte Portal Vermelho
A China propõe a América Latina investimentos massivos em ciência, tecnologia e infraestrutura. Com o esvaziamento dos BRICS em nossa região depois do golpe parlamentar e judiciário, a reunião da CELAC propõe, em sua segunda reunião em conjunto com a China, um ambicioso Plano de Ação que poderá conectar todo o continente tanto pela construção de modernas ferrovias quanto por via marítima, através da Rota da Seda Marítima. É um movimento anti-hegemônico, fora dos ditados monetaristas e austericidas da comunidade financeira transatlântica (City de Londres e Wall Street), e que aponta para um futuro promissor, num mundo multipolar, através do que os chineses chama de “parceria ganha-ganha”. Não “geopolítica”, mas o desenvolvimento conjunto das nações.

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A Nova Rota da Seda e o Cone Sul

Os que se chamam liberais nunca puderam ser tão contestados depois da crise financeira (ainda atual). Ressuscitaram mortos com a ajuda estatal, que por sua vez ficou mortalmente comprometida. A China, com novos objetivos de financiamento da economia mundial, traça uma outra geografia internacional. Na Nova Rota da Seda aparece a centralidade de países como a Bolívia, um mar de equilíbrio em meio aos descalabros no sul do continente, e que pode ser o centro da integração regional nos próximos anos.

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