A posição de Trump diante do complexo industrial-militar

O atual debate de teor acadêmico transplantado para as redes sociais, um suposto embate entre stalinismo e liberalismo, só pode ser considerado um debate político de segundo ou terceiro grau, porque ajuda mais para confundir do que para entender o casamento singular nos dias de hoje entre o modelo da soberania e o da biopolítica. Tanto Stálin quanto Vargas, Mussolini, Hitler e Perón (entre outros) são exemplos de poder soberano de tipo autocrático, e que não sem um delicado debate podem se tornar ou não comparáveis.

O lado positivo do desentendimento que vemos foi o escancarar dos crimes dos liberais, tanto em sua vertente clássica quanto na que se estabeleceu no pós-guerra. Contudo, o debate de teor acadêmico acaba caindo no ridículo: Domenico Losurdo e Hannah Arendt aparecem como polos opostos, quase como se fossem rivais intelectuais, enquanto Churchill e Stálin se engalfinham para ver quem foi melhor ou “menos pior”.

O pequeno texto que segue é um breve estudo de caso, cujo intuito é mais esclarecer o debate político atual e mostrar, a partir de articulações já bem estabelecidas, as ambiguidades, limitações e perigos do singular casamento no séc. XXI entre soberania e biopoder.

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Amigo, pode me dar um emprego?

No momento em que este texto está a ser escrito, durante a segunda semana de maio, 50 milhões de estadunidenses estão desempregados ou foram forçados a emprego em part-time. Mesmo antes deste colapso no emprego, cerca de 44 milhões dos mesmos não tinham emprego produtivo—em produção de bens, em manufatura, em construção, em extração mineira e sondagem e perfuração, em agricultura e em exploração florestal, em transportes—, nem eram cientistas ou engenheiros. Isto trouxe à luz o facto chocante de que, ainda antes da crise de coronavírus, já tinha havido a concretização da velha anedota: “Milhões estão inativos! —felizmente a larga maioria tem empregos.” Cerca de 69% da força de trabalho estadunidense (incluindo aqueles que estavam desempregados, ou que tinham desistido de procurar emprego e de fazer parte da força de trabalho) não tinham emprego produtivo. Isto era quase 120 milhões de pessoas (ver Figura 1). E, agora, uma enorme proporção desses estadunidenses tornou-se literalmente desempregada, ou foi forçada a trabalho em part-time.

Isto revela a absurdidade das definições convencionais de desemprego, pelas quais alguém quer trabalhar, mas não encontra um trabalho remunerado, i.e., não consegue receber rendimentos.

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A captura do debate da Auditoria da Dívida pelos economistas acadêmicos

Formou-se um curioso debate entre professores, pesquisadores e pessoas que ocuparam cargos importantes no governo federal – todos economistas de profissão -, com o objetivo de dar maior precisão ao “gráfico em forma de pizza” da Auditoria Cidadã da Dívida. Correndo por fora do debate, pôde ser visto a dedicação do inteligente blogueiro do Cafezinho em corrigir a hipotética inflação do impacto da dívida pública no orçamento público, após a repetição de Ciro Gomes, em live, dos números do “gráfico em pizza”.

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Ditadura ou Wuhan?

Os teólogos declararam que não podiam definir claramente o que Deus é, mas em seu nome eles ditavam regras de conduta para os homens e não hesitavam em queimar hereges; os virologistas admitem que não sabem exatamente o que é um vírus, mas em seu nome afirmam decidir como os seres humanos devem viver“. Giorgio Agamben, 22 de abril de 2020.

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Putin e a busca por um novo Bretton Woods

A atual mudança geral da estrutura do governo da Rússia não tem relação, como a mídia internacional quer fazer crer, com a tentativa de implantar uma ditadura no país com Putin como novo Czar. Essa é a leitura da City de Londres, da The Economist e de todos os órgãos informativos que somente repercutem as ordens de seu senhores. Posicionando-se assim, ignoram os conflitos políticos internos do país, assim como o novo desenho econômico internacional hoje capitaneado por Rússia e China após a dissolução dos BRICS. É preciso olhar para Rússia sem o temor macartista, ou seja, através das lentes do imperialismo internacional. Um “novo pacto” é necessário, não apenas no Brasil como no mundo, para que se alcance novamente o crescimento econômico e o bem estar das populações, sem a praga do monetarismo e os fantasmas produzidos pela imprensa oligopolizada do eixo transatlântico.

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Pela exoneração de Lyndon LaRouche

Com a prisão de LaRouche, os EUA e o mundo foram privados de seu mais ilustre homem de Estado e economista. Porque as políticas de LaRouche para substituir a pilhagem mortal de Wall Street e da City de Londres por uma justa Nova Ordem Econômica Mundial de desenvolvimento universal em alta tecnologia, centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo permanecerem na pobreza e dezenas de milhões perecerem sem necessidade. Foi somente com a recente adoção da China de políticas muito similares àquelas propostas por LaRouche há 50 anos, que o genocídio foi interrompido ao menos em boa parte do planeta.

Trecho do obituário de Lyndon LaRouche escrito pelos editores da EIR.
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Da Crise do Petróleo ao atual paradigma monetário internacional

Eleanor e Franklin Roosevelt em agosto de 1932. Luta contínua para um sistema econômico internacional mais justo e de crescimento conjunto.

Importantes medidas políticas da década de 1970 criaram o atual mercado de alto risco e o de derivativos, além do permanente sistema da dívida dos países latino-americanos. Esse foi a época em que o antigo império territorial britânico se transformou num império predominantemente financeiro. Não um segundo Império Britânico, mas o mesmo, atuando em configurações diversas. A compreensão dessa mudança de paradigma econômico é fundamental para se compreender os motivos de a economia internacional, atualmente, estar “congelada”: à beira da falência e ao mesmo tempo em que nunca foi tão dependente dos mecanismos financeiros criados a partir de 1970.

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Lyndon LaRouche, o poder da razão (1922–2019)

Da Executive Intelligence Review

Lyndon H. LaRouche, Jr., o economista e estadista estadunidense que compilou, entre 1957 e 2007, o registro mais acertado do mundo de prognósticos econômicos, faleceu no 12 de fevereiro de 2019. Autor de milhares de artigos e de mais de 100 livros e panfletos de tamanho de um livro e de estudos estratégicos, LaRouche foi uma das mais controversas figuras políticas de toda a história estadunidense.

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