Sob violento abalo: a tese X e o pacto nazi-soviético

Diz-se que Walter Benjamin esteve sob violento abalo quando soube que os embaixadores da União Soviética e da Alemanha nazista assinaram um tratado em conjunto, o Ribbentrop-Molotov. Teria recorrido a remédios ao ver que a única esperança de luta contra o fascismo cedeu ao firmar um pacto de não agressão… Essa interpretação serve para um duplo fim: criticar a ação soviética como capitulação diante de Hitler, sem considerar que este foi o último dos tratados que potências europeias e outros países periféricos assinaram com os nazistas o fim de contê-los diplomaticamente. Por outro lado não se atentam que, mais do que em qualquer outro trabalho, a tarefa específica no campo político dos Conceitos sobre a História, de Benjamin, é o de crítica as esquerdas, seja ela de caráter socialdemocrata ou comunista.

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A verdade por trás do início da II Guerra Mundial

Recentemente, Vladimir Putin anunciou a abertura dos arquivos soviéticos da época da II Guerra. Responde a resolução do Parlamento Europeu que diz que “A Rússia continua a ser a maior vítima do totalitarismo comunista e seu desenvolvimento para um Estado democrático será impedido enquanto o governo, a elite política e a propaganda política continuarem a encobrir os crimes comunistas e glorificar o regime totalitário soviético”. Na atual mudança de eixo geopolítico ou de sistema-mundo para a Ásia, Putin alerta que nunca foi registrado transformação dessa escala na história da humanidade que não fosse seguido por uma guerra de grandes proporções que, nas atuais condições, é impensável.

Assim, chama os países ocidentais a rever a história da II Guerra para que os erros que levaram a ela não se repitam. Sua “virada interpretativa” tira o foco do pacto nazi-soviético e se detém no Acordo de Munique, chamado por Putin de “traição de Munique”. Ao ceder os Sudetos aos alemães, deram as condições territoriais, energéticas e alimentares para o projeto expansionista nazista e os jogaram às portas da URSS. Houve a tentativa de contenção via Ribbentrop-Molotov (o último de uma série se pactos diplomáticos firmados por países como Inglaterra e França), mas esse não foi a causa da guerra, como quis dizer o Parlamento Europeu, mas a complacência e a traição dos países ocidentais que levaram ao confronto das duas grandes potências intracontinentais, o que estava nos planos dos geopolíticos e do Império Britânico.

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