A história à prova do testemunho: Ricoeur diante de Auschwitz

Com a sofisticação da escrita da história contemporânea à micro-história e à terceira geração dos Annales, alguns teóricos mostraram preocupação com a possível dissolução das fronteiras que separam a história da ficção, tanto para o público leigo quanto para o senso comum de um modo geral. Por outro lado, a publicação da “Meta-história”, por Hyden White”, parecia legitimar teoricamente relativismos variados ao aparentemente subordinar os fatos à sua existência linguística. Em “A memória, a história, o esquecimento”, Paul Ricoeur procura ultrapassar tais barreiras epistemológicas ao contrapor a noção de “representação artística” ao seu conceito de “representância historiadora” e, no plano existencial, expor como o testemunho pode servir de prova de verdade a história diante de casos extremos como o Holocausto e as tentativas de revisionismo que entraram em moda décadas depois.

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Jogo de escalas: estrutura e acontecimento em Fernand Braudel

Na revisão que faz sobre sua abordagem da história da historiografia, Paul Ricoeur relê Fernand Braudel à luz das inovações trazidas pela micro-história. A escrita dos historiadores passa a ser compreendida como mediação através da narrativa entre estrutura e acontecimento, onde todos os diferentes tipos de dados coletados em uma pesquisa não são mais considerados como “fatos” ou “dados” por serem atravessados pela composição do autor das histórias. Diante de novas conclusões, podemos reler e rever o importante e antigo trabalho de Braudel, isto é, seu “Mediterrâneo”.

YOUTUBE: https://youtu.be/C7WmcKl1dQU

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