Por trás da Guerra anglo-norte-americana contra a Rússia

Para compreender a extensão da leviandade geoestratégica dos EUA, é útil uma rápida passada de olhos pela doutrina geopolítica anglo-norte-americana. Aqui, é essencial discutir a visão de mundo do padrinho da geopolítica, o geógrafo britânico Sir Halford Mackinder. Em 1904, em discurso perante a Royal Geographical Society em Londres, Mackinder, firme defensor do Império, apresentou o que, para muitos é um dos documentos mais influentes na política exterior mundial, dos passados 200 últimos anos, desde a Batalha de Waterloo. A palestra, bem curta, foi intitulada “O pivô geográfico da história”.

Desde aquela conferência profética de Mackinder, em 1904, em Londres, o mundo conheceu duas guerras mundiais, dirigidas basicamente ao objetivo de quebrar a nação alemã e a ameaça geopolítica que representaria contra a dominação anglo-norte-americana global; e dirigidas também à meta de destruir qualquer possibilidade de algum dia vir a surgir, por via pacífica, uma Eurásia russa-alemã que, na visão de Mackinder e de estrategistas geopolíticos britânicos, passaria a buscar o “império mundial”.

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As movimentações do Partido da Guerra na campanha eleitoral

Imagem ilustrativa do New York Times para o artigo anônimo de um suposto membro do governo de Donald Trump

Líderes do partido da guerra (ou neocons) se movimentam na Europa, com Theresa May, e nos EUA, para forçar uma massiva ação da OTAN na Síria (mais contundente que a de abril deste ano) e a legitimação do “Russiangate”, campanha no seio da qual nasceu o termo “fake news”. A guerra total que vivemos hoje pode ou não ser nuclear. Depende de como os dados sejam lançados. Nesse sentido, as eleições de 2018 nos EUA são tão importantes como serão as daqui do Brasil. Um marco para o bem ou para o mal pode ser estabelecido. As campanhas difamatórias começaram com toda a força por lá, enquanto por aqui continuamos a viver momentos dramáticos.

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A próxima fronteira do mundo, Idlib

Foto: Infografia: Alexandre Mauro/G1

 

Enquanto a Rússia denuncia um possível “operação de bandeira falsa”, o Ocidente ameaça russos e sírios por causa do recente avanço sobre a província de Idlib, um dos últimos refúgios de rebeldes após a bem sucedida parceria dos dois países contra o Estado Islâmico, a Al-Qaeda, Al-Nusra e demais agrupamentos terroristas. A fronteira com a Turquia é um ponto-chave desse jogo por ser o lugar de onde os rebeldes tem acesso ao Ocidente e a suas fontes de financiamento e a armas. A postura dúbia de Erdogan, que se move entre a dependência econômica com o oriente e seu pacto militar com o ocidente, torna ainda mais dramático atos que podem levar a um possível desfecho a luta contra a desestabilização do Oriente Médio, na esteira da devastação da Líbia e do Iêmen, ou a um confronto direto entre a OTAN e a Rússia.

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