A viagem de Ulisses e a hipótese solar

 
No século XVIII, em meio aos tumultos revolucionários – políticos e científicos -, o presidente da Assembléia Nacional Constituinte, Jean Sylvain Bailly, e Voltaire, trocaram cartas, numa troca de ideias acirradas, que colocou em questão diferentes interpretações sobre a origem das línguas e da civilização na Terra, da distinção entre astronomia e astrologia, num debate amplo que remete aos círculos republicanos na Europa durante o Renascimento. Nicolau de Cusa, Tosacanelli, e Infante Dom Henrique sabiam da descoberta da forma esférica da Terra feita no século II a.C. pelo grego Erastóstenes, e levaram à frente a hipótese de uma antiquíssima astronomia, que remonta à viagem de Ulisses relatada por Homero, séculos antes do tempo de Sócrates e Sólon: a possível circunavegação do globo em eras remotíssimas, 
 
Bailly, com sua “hipótese solar”, diz que os povos que colonizaram a Europa e a Ásia vieram no norte e não do oriente, já se utilizando de barcos e alcançando vastas extensões geográficas, feito somente repetido com os Descobrimentos. A façanha dos Descobrimentos foi tão grande que, no bojo da Missão Apolo, um dos diretores da NASA que lideravam o projeto, dizia ser seguido pela sombra do Infante Dom Henrique. Essa foi a “hipótese solar” novamente levada a cabo, essa foi a grande revolução científica da era moderna, a primeira delas, a partir da Escola de Sagres e os estudos científicos levados adiante nos círculos republicanos de Florença. Hoje, a partir da década de 1970, novas descobertas corroboram essa tese, mostrando que muito antes de Galileu ou Kepler, o ser humano, seguindo as hipóteses científicas adequadas, há muito já tinham superado o medo de uma Terra plana e povoada de monstros. E assim se deram as primeiras colonizações que criaram as civilizações por nós conhecidas.

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