B. Brecht: Aos vacilantes

Bertolt Brecht, (poema de) 1935, quando ainda podia jogar xadrez com W. Benjamin e não tinha espaço para se lamentar.

Você diz:
A coisa vai mal para nós.
A escuridão aumenta. As forças decrescem.
Agora, após termos trabalhado tantos anos, estamos
Em situação mais difícil do que no início.

O inimigo, porém, está mais forte do que nunca.
Suas forças parecem maiores. Tomou aspecto invencível.
Cometemos erros, sim, não dá para negar.
Nosso número diminuiu.
Nossos bordões estão em desordem. Uma parte das nossas palavras
O inimigo distorceu até ficar irreconhecível.

O que está errado agora daquilo que dissemos
Alguma coisa ou tudo?
Com quem podemos contar ainda? Somos os restantes, arrancados
Do rio vivente? Vamos permanecer
Não compreendendo mais a ninguém e por ninguém compreendidos?

Precisamos ter sorte?

É o que você pergunta. Não
Espere outra resposta além da sua.