DESENVOLVIMENTO, ENVOLVIMENTO, EVOLVER-SE

Em que ponto a crítica histórica é capaz de produzir “muçulmanos”?. Reflexões sobre o Bertleby, de Mandeville.
O papel de toda crítica histórica não é o de mostrar o determinado desenvolvimento, como se, ao se utilizar de uma regra cujo fim é medir apenas o passado, ou seja, de acordo com um presente genérico ou um futuro abstrato – teleologias – se pudesse medir em termos gerais, como se faz com os signos monetários – ainda mais caso se referencie uma moeda única, singular ou universal – os envolvidos, com a precisão inútil da máquina de calcular, estão contentes com a operação de uma máquina de se fazer fofocas.
(não por outro motivo, Barbara Cassin diz que Aristóteles é o último e o mais preparado dos sofistas. Na verdade, ele é o modelo frente às cópias, de Górgias, Melisso ou Xenofonte. Heidegger, o leitor insaciável de Aristóteles, indica a exclusão daqueles que condenam a “tagarelice”, como se todo seu saber não fosse baseado no sóphos, nos comentários sobre comentários, e numa prosa insípida que, por essa mesma característica, foi alçada ao patamar de filosofia. Fora desse reino que busca sempre o bom senso e o senso comum, a palavra senão fácil pelo menos de consenso, como Habermas, exclui-se as vozes do murmúrio. No contexto da sociedade civil ideal, rígida em seus parâmetros como só um alemão pós-Kant sabe fazer, somos todos aquém dos judeus. Somos os “muçulmanos” dos campos de concentração nazistas)
“I would prefer not to”
Nem os envolvidos, como se o fato de se estar em alguma coisa, por si, pudesse dizer sobre a real participação num crime ou num acontecimento memorável. Assim, vê-se povos de um modo geral, caracterizando todos os tipos de racismo. Eis a face que aparece novamente. Ano zero: rostidade. E ainda não se pode dizer, hoje, que os revolucionários não foram cristãos…
(Aqui entraríamos no terreno das mitologias personalistas, imperiais. Mas passemos adiante)
Deve-se ver o papel dos evolvidos, dotados de vida própria, cuja alma ignora as regras da tabula rasa do empirismo britânico, e compartilham diferentes tipos mentais entre si, num ambiente somente genericamente a eles assemelhado. Somente assim se pode compreender porque a parresía socrática, ao contrário da de Péricles, não pode ser política. Há um descompasso enorme entre as palavras e todas as coisas. E é isso que a crítica histórica continuará a ignorar.
Não pode ser política: Xi Jiping, ainda mais do que Putin ou até mesmo Trump, o mais vil dos muçulmanos. Novamente os demagogos que se chamam de democratas querem uma nova guerra de auto-destruição. E não faltam os seus Tucídides para narrar com pompa e glória o holocausto, a guerra fratricida, como a do Peloponeso.
(1989: ilusão de um estado de guerra que ainda não terminou e que mais e mais se agrava. A guerra é total, nos termos precisos que Deleuze e Guattari definiram no Mil Platôs, na “Máquina de guerra nômade”. 1989: o aprofundamento do estado de exceção – Agamben; 1989: a inauguração da pós-democracia para Rancière; 1989: o primeiro ato de guerra total para além de qualquer parâmetro de “guerra fria”)
“I would prefer not to” não é uma parresía política, como a de Sócrates? Talvez não por não ter a “precisão”, a capacidade de “persuasão” da velha e da nova sofística, imperial e “democrática”, ou seja, demagógica. Barack Obama.
Eu poderia me explicar melhor? “I would prefer not to”. Bartleby.